O Brasil é o país com a maior concentração de riqueza entre as 56 maiores economias do planeta, de acordo com o relatório UBS Global Wealth Report 2025, divulgado nesta semana. O estudo revela que o 1% mais rico da população brasileira detém 49,3% da riqueza total do país, um índice que supera o de todas as outras nações analisadas.
Dados alarmantes sobre desigualdade
O relatório da UBS destaca que a concentração de riqueza no Brasil é a mais alta do ranking, seguido por países como Índia (40,6%) e Estados Unidos (35,8%). Em contraste, nações como Japão (17,2%) e Alemanha (18,5%) apresentam índices muito menores. O documento também aponta que a pandemia de Covid-19 agravou a desigualdade no país, com os mais ricos aumentando sua participação na riqueza nacional.
Impactos econômicos e sociais
A concentração de riqueza tem implicações diretas no desenvolvimento econômico e na estabilidade social. Especialistas apontam que a desigualdade elevada reduz o crescimento econômico de longo prazo e aumenta a instabilidade política. Segundo o economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social, “a concentração de renda no Brasil é um dos principais entraves para a redução da pobreza e para a melhoria dos indicadores sociais”.
O relatório da UBS também mostra que a riqueza total dos brasileiros cresceu 8,2% em 2024, atingindo US$ 2,3 trilhões. No entanto, esse crescimento beneficiou desproporcionalmente os mais ricos, ampliando ainda mais o abismo social.
Comparação internacional
Entre as economias analisadas, o Brasil se destaca negativamente. A média global de concentração de riqueza no 1% mais rico é de 30,2%, enquanto o Brasil supera essa média em quase 20 pontos percentuais. Países com políticas tributárias mais progressivas e sistemas de proteção social robustos, como os países nórdicos, apresentam índices abaixo de 20%.
O estudo conclui que, sem reformas estruturais, a tendência é de que a concentração de riqueza no Brasil continue aumentando, perpetuando o ciclo de desigualdade.



