Uma mulher de 37 anos que se passava por uma adolescente de 12 anos foi presa em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, um ano após ser adotada por uma família em Joinville, Santa Catarina. Amanda Maria Souza de Oliveira foi localizada pela Polícia Militar e confessou que "tinha o costume de mentir".
Acolhimento em casa de assistência
Amanda ficou um período em Montes Claros em 2024, até ser presa por falsidade ideológica. Ela morou na Casa de Acolhimento Rosa Mística, que presta assistência a pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo a responsável pela unidade, Mychelle Alencar, a golpista inventava histórias para sensibilizar quem convivia com ela.
Da rodoviária de Montes Claros, ela foi encaminhada para o local. "Ela nos contou que foi adotada por um casal e que fazia parte de rituais de magia negra. Ela mostrava no corpo muitas marcas de cigarros e agulhas que o pai adotivo colocava. Chorava muito, era uma história muito real e sensibilizou toda a casa", relatou Mychelle.
Mudança na idade e fuga
Ao chegar na Casa de Acolhimento, Amanda disse ter 18 anos, mas depois passou a afirmar que tinha 13. Por se tratar, em tese, de uma adolescente, a direção da unidade informou que acionaria o Conselho Tutelar e providenciaria atendimento médico, além de ajudá-la a obter segunda via de documentos, que ela alegava ter deixado para trás ao fugir dos pais.
"Ela mencionou que queria ir embora, que não ia ficar, que estava sendo pressionada. Foi aí que a história se desenrolou. Ela juntou as roupas e disse que não ficaria, porque era uma criança e a gente não estava respeitando ela", contou Mychelle. Durante uma troca de turno, Amanda saiu correndo do local.
"Ela tinha todos os trejeitos de criança, voz doce e meiga. Até para comer, só queria coisas infantis", detalhou a responsável. Além disso, uma das acolhidas encontrou na internet uma reportagem em que Amanda aparecia. "A gente não esperava algo tão inusitado, mas já entendia que havia algo diferente com ela", completou.
Histórico de crimes
Com a suspeita, a responsável acionou a Polícia Militar em 27 de dezembro de 2024. Os policiais localizaram Amanda nas imediações da Casa. Após identificação, constataram que ela já possuía registros nos estados de Goiás e Rio de Janeiro por falsidade ideológica, estelionato e difamação. A PM verificou que ela havia registrado boletim de ocorrência alegando perda de documentos, estratégia para omitir a verdadeira identidade.
Durante os levantamentos, foi constatado que a golpista já havia recebido ajuda de outras pessoas e instituições sensibilizadas com suas histórias. Ao ser questionada, Amanda disse que "tinha o costume de mentir" e afirmou não manter contato com parentes, nem desejar apoio de profissionais de saúde. Ela foi presa em flagrante e levada para a delegacia.
Defesa
O defensor dativo nomeado informou que, após análise dos autos e entrevista com a custodiada, identificou elementos que justificaram o pedido de exame de sanidade mental. O requerimento foi acolhido pelo Juízo, que determinou a realização de perícia oficial para avaliar sua condição psíquica. A investigada permanece à disposição da Justiça, com prisão preventiva convertida da prisão em flagrante, aguardando a conclusão da perícia técnica.



