Amanda Maria Souza Oliveira, de 37 anos, foi presa em Joinville (SC) após confessar ter vivido por mais de um ano como uma adolescente de 12 anos. Antes disso, em novembro de 2023, ela já havia protagonizado situação semelhante em Mato Grosso do Sul, sendo encaminhada a uma unidade de acolhimento infantil em Campo Grande.
Histórico em Mato Grosso do Sul
De acordo com boletim de ocorrência registrado em 3 de novembro de 2023, Amanda chegou à Unidade de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Uaica), em Campo Grande, acompanhada por integrantes do Conselho Tutelar. Na ocasião, ela se apresentou como Gabrielly dos Santos e afirmou ter 13 anos.
Funcionários da unidade desconfiaram da história ao não encontrarem documentos que comprovassem a identidade informada. Durante buscas na internet, localizaram reportagens e vídeos sobre uma mulher identificada como Amanda Maria Souza Oliveira, que já havia sido alvo de investigações em outros estados. A semelhança levou à suspeita de que se tratava da mesma pessoa.
A Polícia Militar foi acionada e encaminhou Amanda para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol. Na delegacia, ela relatou que vivia em situação de rua, tinha problemas mentais e havia chegado a Campo Grande semanas antes. Também afirmou que procurou ajuda na Casa da Mulher Brasileira e que, após informar ser menor de idade, foi encaminhada para o acolhimento institucional. Segundo o boletim, ela não apresentou documentos pessoais.
Caso em Santa Catarina
Amanda voltou a ser alvo da polícia após ser presa em Joinville. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, ela se passou por uma adolescente de 12 anos, frequentou uma igreja da cidade e acabou acolhida por uma família com boa condição financeira. Aos investigadores, afirmou ter fugido do Pará por sofrer maus-tratos. No entanto, a polícia descobriu que Amanda é natural do Ceará.
De acordo com o delegado Rodrigo Bueno Gusso, a suspeita criou uma forte ligação emocional com a família. "Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Era uma família com boa situação financeira, então ela levava uma vida de adolescente muito boa. Durante o período em que estava com a família, ela não recebia dinheiro diretamente, mas tudo que havia de bom e do melhor ela recebia", afirmou.
Ainda segundo a investigação, Amanda alegava falsamente ter autismo e outras condições clínicas para justificar sua aparência adulta. Também dizia que os traços físicos eram consequência do uso forçado de hormônios durante a infância. A polícia informou que ela mantinha comportamentos infantilizados, usando mamadeiras, chupetas e um objeto de apego para dormir.
Descoberta da fraude
A fraude começou a ser desvendada depois que uma parente da família acolhedora desconfiou da história e decidiu pesquisar informações sobre Amanda na internet. Segundo o delegado, a mulher encontrou registros de um caso semelhante ocorrido no Rio de Janeiro e alertou os familiares. "Foi uma tia não distante, mas que não convivia todo dia com ela, que nunca acreditou nessa história de que ela era menor de idade e começou a pesquisar na internet. Descobriu que teve um caso muito parecido no Rio de Janeiro, com o mesmo modus operandi, e contou para o pai adotivo", disse.
A partir daí, a polícia identificou ocorrências semelhantes envolvendo Amanda em diferentes estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Prisão no Rio de Janeiro
Conforme a Polícia Civil de Santa Catarina, Amanda também foi presa em 2023, em Nova Iguaçu (RJ), após aplicar golpes alegando ser vítima de uma rede de prostituição e bruxaria. Na época, segundo os investigadores, ela já fingia ser adolescente para enganar as vítimas.
O que diz a defesa
Em nota, o advogado Rafael Luiz Siewert, defensor dativo de Amanda, informou que pediu a realização de exame de sanidade mental da investigada. O pedido foi aceito pela Justiça. Leia a nota na íntegra:
"Fui nomeado defensor dativo da investigada, uma vez que a Defensoria Pública não atua perante o Juízo de Garantias da Comarca de Joinville. Após a análise dos autos e entrevista com a custodiada, a defesa identificou elementos que justificaram o pedido de realização de exame de sanidade mental. O requerimento foi acolhido pelo Juízo, que determinou a realização de perícia oficial para avaliação de sua condição psíquica. Neste momento, a investigada permanece à disposição da Justiça em razão da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e da necessidade de realização do exame pericial já determinado. A defesa aguarda a conclusão da perícia técnica, que poderá contribuir para o adequado esclarecimento das circunstâncias relacionadas ao caso e para a adoção das medidas processuais cabíveis. Por respeito ao andamento das investigações e aos direitos da investigada, não serão prestados comentários sobre o mérito dos fatos neste momento. Rafael Luiz Siewert - OAB/SC 30.361"



