Segundo a Bahia Asset, 2027 será marcado por um ciclo de cortes de juros no Brasil, independentemente do desfecho da eleição presidencial. A gestora avalia que as condições econômicas e o comportamento da inflação são suficientemente claros para indicar a trajetória de queda da Selic, ainda que o cenário fiscal e externo devam ser monitorados de perto.
Leitura da gestora para a política monetária
A projeção divulgada pela Bahia Asset reforça a tese de que o Banco Central deverá operar com base em dados, e não sob influência eleitoral. Em sua avaliação, a trajetória da Selic não será alterada pelo resultado das urnas. A eventual diferença entre os cenários eleitorais pode afetar a velocidade das reduções, mas não o sentido do movimento.
De acordo com a gestora, os fundamentos da economia brasileira apontam para a necessidade de ajuste da taxa básica de juros, o que deve ocorrer a partir de 2027. O processo de desinflação deve seguir avançando, e a atividade econômica, o mercado de trabalho e o câmbio são variáveis que o Comitê de Política Monetária (Copom) levará em conta nas próximas reuniões.
Fatores que sustentam a projeção
Entre os fatores que sustentam a projeção, a Bahia Asset cita a convergência da inflação para as metas e o comportamento das contas públicas. O regime de metas de inflação, adotado no Brasil desde 1999, segue como referência central para a atuação do Banco Central. A gestora entende que o compromisso das futuras autoridades com esse regime será determinante para a extensão do ciclo de cortes.
Além disso, o cenário externo tende a ajudar. Um ambiente de juros globais menos restritivo abre espaço para afrouxamento monetário no Brasil. A gestora, no entanto, mostra cautela: a sustentabilidade do ciclo dependerá da âncora fiscal e da credibilidade das políticas econômicas adotadas a partir de 2027.
Impacto nos investimentos e no mercado
Um ano de cortes de juros deve ter impactos importantes nos mercados financeiros. Para a renda fixa, a queda da taxa básica favorece papéis com maior duration, que se valorizam com a redução das taxas futuras. Para a bolsa, o afrouxamento monetário tende a melhorar os múltiplos das empresas, especialmente as de maior crescimento e sensibilidade ao ciclo econômico.
No relatório, a Bahia Asset não detalhou projeções de magnitude ou periodicidade dos cortes. A avaliação é qualitativa e enfatiza o ajuste do ciclo monetário em 2027. A gestora observa que o mercado deve acompanhar os comunicados do Copom e as projeções do Boletim Focus para calibrar as expectativas ao longo de 2026.
Cenário eleitoral e perspectivas
Para a Bahia Asset, o ano de 2027 será um ano de juros em queda independentemente do partido no poder. A tese central da gestora é que o Brasil precisará ajustar a taxa básica ao novo cenário de inflação e atividade econômica. A extensão do movimento, porém, dependerá da combinação entre política fiscal, cenário internacional e expectativas de longo prazo.
Dessa forma, a gestora se posiciona de maneira construtiva em relação aos ativos brasileiros que se beneficiam com a queda dos juros, ao mesmo tempo em que recomenda atenção às variáveis fiscais. O processo de afrouxamento, ainda que consistente, deve ocorrer de forma gradual e condicionado à evolução dos dados econômicos.
Em resumo, a Bahia Asset acredita que a eleição presidencial de 2026 não será um divisor de águas para a política monetária do ano seguinte. O ciclo de cortes de juros, portanto, tende a se confirmar em qualquer cenário, com diferenças apenas no ritmo e na intensidade das reduções.



