O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) acionou a Interpol para obter o histórico do missionário norte-americano D'Andre Jermaine Grayson, preso por espancar o filho Oliver Golden Grayson, de 3 anos, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A criança morreu no dia 8 de julho. A Polícia Federal (PF) também foi acionada para verificar os antecedentes dos estrangeiros e a situação legal da família no Brasil.
Mãe autorizada a reconhecer corpo
A 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal de Viamão determinou, na sexta-feira (17), que a mãe de Oliver, Mayanna Angelina Rodgers, seja escoltada da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba até o Departamento Médico-Legal (DML) para reconhecer o corpo do filho. A decisão atendeu a um pedido do MPRS, que informou ao Judiciário que todas as perícias necessárias já foram concluídas, não havendo mais impedimentos legais para a entrega do corpo à família.
Anteriormente, a direção do presídio havia negado a liberação extraordinária da detenta, sob o argumento de que a grande repercussão do caso gerava riscos à integridade física dela e dos agentes de escolta. Na ocasião, a defesa de Mayanna criticou a medida, classificando-a como uma "punição antecipada".
Investigação em andamento
Até o momento, 11 testemunhas foram ouvidas pela investigação, e a previsão de conclusão do inquérito é no início de agosto. A delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, afirmou que os pais orientavam os filhos a esconder os machucados. De acordo com a polícia, as crianças usariam roupas compridas e seriam instruídas a inventar histórias para justificar as marcas pelo corpo.
A polícia também analisou a estrutura da residência da família, uma casa de madeira pequena, sem portas, onde a divisão dos cômodos era feita apenas por panos. A investigação apura a conduta da mãe e avalia, por meio de perícias psíquicas que ainda serão realizadas com as crianças, se ela foi omissa em relação à morte e às agressões ou se também praticava as torturas.
Indícios de violência contra a mãe
Em um inquérito separado, a Polícia Civil investiga indícios de que Mayanna sofria violência física e psicológica do marido. As polícias civis de Santa Catarina e de São Paulo enviaram cópias de ocorrências que apontam indícios de maus-tratos cometidos pela família nesses estados entre 2024 e 2025.
A polícia investiga possíveis falhas na rede de proteção de Viamão, onde a família morava, para esclarecer quais medidas foram adotadas diante dos sinais de maus-tratos. O Conselho Tutelar acompanhava a família há oito meses.
Detalhes do crime
Em depoimento à Polícia Civil, D'Andre Jermaine Grayson confessou ter espancado o filho e disse que a motivação para as agressões foi o menino não ter lhe dado "bom dia". De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, o homem relatou ter desferido socos no peito e no abdômen da criança, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão. O crime aconteceu no distrito de Águas Claras, onde a família mora.
O pai está preso desde 5 de julho. A mãe foi presa preventivamente no dia 9 de julho. Os quatro irmãos da vítima seguem em um abrigo.
Posição das defesas
A defesa de D'Andre, representada pelo advogado Ismael Schmitt, afirmou em nota que "o processo tramita sob segredo de justiça" e que "exposição midiática antecipada não substitui o processo". A defesa também lamentou o afastamento dos quatro filhos de sua mãe, "sobretudo em momento de luto e necessidade de amparo familiar".
A defesa de Mayanna, por sua vez, declarou que "a constituinte é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente". As advogadas Isabel Cochlar, Juliana Braun Martins e André von Berg afirmaram que estão colaborando com as autoridades.



