Ministro do STJ afastado recebe R$ 100 mil e é alvo de processo por assédio
Ministro do STJ afastado recebe R$ 100 mil e é alvo de processo

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, afastado do cargo desde fevereiro por suspeita de importunação sexual, continua recebendo vencimentos de aproximadamente R$ 100 mil mensais. Nesta quinta-feira (11), a comissão responsável pelo processo administrativo disciplinar (PAD) inicia a oitiva de testemunhas de acusação e defesa, a partir das 9h.

Denúncias de assédio

Buzzi é acusado de importunar sexualmente duas mulheres. A primeira denúncia foi feita por uma jovem, filha de um casal de amigos do ministro, que relatou ter sido tocada por ele dentro do mar, em uma praia em Santa Catarina, em janeiro deste ano. Ela registrou boletim de ocorrência na ocasião. A segunda denúncia partiu de uma ex-funcionária terceirizada do gabinete de Buzzi, que narrou situações entre 2023 e 2025 em que o magistrado teria tocado suas nádegas, segurado seus braços e feito comentários inapropriados.

Testemunhas de acusação

Entre as testemunhas de acusação estão os pais da jovem que fez a primeira denúncia, que passavam férias na casa de praia de Buzzi, e servidores do gabinete dele. Em abril, o blog da Andréia Sadi revelou vídeos de depoimentos de servidores que afirmaram que a ex-funcionária terceirizada se queixava da conduta do ministro no dia a dia do trabalho.

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Defesa nega crimes

A defesa de Buzzi nega a ocorrência de crimes e arrolou 16 testemunhas, incluindo pessoas que estavam na praia perto do local onde a primeira jovem contou ter sido assediada. Na defesa prévia, os advogados já haviam apresentado depoimentos por escrito de testemunhas que estavam no local.

Processo administrativo disciplinar

O PAD foi aberto em abril por decisão unânime do plenário do STJ, que também manteve o afastamento de Buzzi. A audiência desta quinta-feira será híbrida, com depoimentos presenciais no STJ e por videoconferência. As testemunhas serão ouvidas pela comissão formada pelos ministros Luis Felipe Salomão (presidente), Benedito Gonçalves e Ricardo Villas Bôas Cueva, escolhidos por sorteio. O relatório final, que pode propor punições como aposentadoria compulsória, será votado no plenário do STJ, sem data prevista.

Outros procedimentos

Paralelamente, Buzzi é alvo de um procedimento no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e de um inquérito criminal no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques. O inquérito foi aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República para investigar possível crime de importunação sexual.

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