Médico é investigado por abusos sexuais em consultas ginecológicas no RJ
Médico investigado por abusos em consultas ginecológicas

Um médico ginecologista está sendo investigado após três mulheres denunciarem abusos sexuais ocorridos durante consultas em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. As vítimas relataram à Polícia Civil que os episódios aconteceram durante exames ginecológicos e preventivos. Elas afirmaram ter sentido desconforto com a conduta do profissional, mas tiveram dificuldade em compreender o que estava ocorrendo no momento dos atendimentos.

Relatos das pacientes

Uma das pacientes declarou: “Eu me senti desconfortável. Fiquei pensando se aquilo era normal, se ele podia fazer aquilo”. Outra mulher contou que saiu da consulta em estado de choque e enviou mensagem à mãe dizendo que achava ter sido abusada pelo médico.

De acordo com a Polícia Civil, cinco mulheres registraram boletins de ocorrência contra Carlos Alfredo Mendes de Oliveira entre 2015 e 2026. As pacientes descrevem situações semelhantes. Uma delas afirmou que foi puxada pelo médico enquanto estava posicionada para o exame ginecológico e que, durante a avaliação das mamas, ele se aproximou fisicamente de forma inadequada.

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Outra vítima disse que o atendimento durou cerca de 30 minutos e que houve toques sem relação com o procedimento médico. Uma terceira paciente, que procurou o médico após ser encaminhada por uma unidade de saúde, sentiu-se constrangida com perguntas e comportamentos que a intimidaram. Ela afirmou que o exame só terminou após manifestar incômodo.

Investigação policial

A delegada Vanessa Martins, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti, afirmou que a investigação identificou indícios de condutas incompatíveis com o padrão esperado para atendimentos ginecológicos. “Nós pudemos constatar procedimentos divorciados do padrão de atendimento de um ginecologista, com aproximações físicas inoportunas durante os atendimentos, toques íntimos desnecessários e comentários de conotação sexual”, declarou.

Em depoimento prestado neste ano, ao ser questionado se já havia sido acusado anteriormente por conduta inadequada, Carlos Alfredo respondeu que sim, e afirmou que ginecologistas costumam enfrentar esse tipo de situação ao longo da carreira.

Prisão negada pela Justiça

A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do médico, mas a Justiça negou o pedido. A magistrada considerou que o investigado tem 71 anos e que medidas cautelares seriam suficientes naquele momento. Entre as determinações impostas estão o comparecimento periódico em juízo e a proibição do exercício da medicina.

Michel Brito, advogado que representa uma das vítimas, discordou da decisão. “É um caso gravíssimo, praticado em ambientes silenciosos. Ao entender da defesa, a prisão seria necessária para garantia da ordem pública”, afirmou.

Consultório e denúncias anteriores

Segundo as denunciantes, um dos consultórios utilizados pelo médico funcionava em um prédio comercial no Centro de São João de Meriti. Durante a investigação, funcionários da recepção informaram que Carlos Alfredo continuava realizando atendimentos normalmente. O nome do médico também aparecia no painel de identificação do edifício.

Carlos Alfredo responde pelo crime de violação sexual mediante fraude. No sistema de consulta do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), o registro profissional aparece suspenso.

Impacto nas vítimas

Uma das mulheres que denunciou o médico há mais de cinco anos afirma sentir frustração ao saber que outras pacientes registraram ocorrências posteriormente. “É traumatizante. Acho que, se ele tivesse sido preso naquela época, outras mulheres talvez não tivessem passado por isso”, disse. Outra vítima relatou que precisou interromper projetos pessoais após o episódio. “Demorei muito tempo para voltar a viver normalmente. Quero dizer para outras mulheres que a vida continua, apesar de tudo”, afirmou.

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Posicionamento dos órgãos

O RJ1 tentou contato com Carlos Alfredo Mendes de Oliveira por telefone e mensagens, mas não obteve retorno. O Cremerj informou que o procedimento relacionado à conduta do médico tramita sob sigilo e, por isso, não pode fornecer detalhes. O conselho afirmou ainda que tomou conhecimento, por meio da reportagem, de que o médico estaria realizando atendimentos durante o período de suspensão judicial e que adotará as medidas cabíveis de apuração, incluindo a comunicação às autoridades competentes.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informou que apresentou denúncia contra o médico em março deste ano. Já o Tribunal de Justiça declarou que, por se tratar de um processo que tramita sob segredo de Justiça, não pode fornecer informações adicionais.