O laudo de papiloscopia divulgado na quarta-feira (29) pela Polícia Civil da Paraíba confirmou que o adolescente suspeito de matar Washington Rodrigo, de 33 anos, dentro de um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, tem 17 anos. O resultado foi obtido por comparação das impressões digitais com o banco de dados do Rio Grande do Norte. Antes disso, um exame de arcada dentária havia sido feito, mas o resultado foi inconclusivo.
O adolescente já havia confessado o homicídio quando se apresentou à polícia, na segunda-feira (27), em Caicó, no Rio Grande do Norte, acompanhado de advogado. Na terça-feira (28), ele foi ouvido e transferido para João Pessoa, onde o caso passou a ser conduzido pela Delegacia da Infância e da Juventude.
Vítima avisou a mãe sobre corrida para Pipa
Washington Rodrigo tinha 33 anos e, segundo familiares, trabalhava como motorista autônomo. A família contou à TV Cabo Branco que, na quinta-feira (23), ele informou à mãe que faria uma corrida para Pipa, no Rio Grande do Norte, antes de desaparecer. O corpo dele foi encontrado dentro do quarto do hotel na orla de Manaíra.
A Polícia Civil detalhou que o adolescente chegou a João Pessoa também na quinta-feira (23). No mesmo dia, ele acessou um site de relacionamento, encontrou o perfil de Washington Rodrigo e iniciou uma conversa usando o contato disponível na plataforma. Em seguida, os dois passaram a conversar por um aplicativo de mensagens e marcaram um encontro para a madrugada da sexta-feira (24).
A defesa do adolescente apresentou versão semelhante e afirmou que a escolha de Washington foi aleatória. O jovem pesquisou anúncios no site e decidiu entrar em contato com a vítima. Para entrar no hotel, ele usou um documento falso.
Cabo de secador foi usado para estrangular
De acordo com a Polícia Civil, o adolescente afirmou que utilizou o cabo do secador de cabelo do hotel para estrangular Washington Rodrigo. No relato, ele disse que a intenção era apenas deixar a vítima desacordada para conseguir sair do local. O Instituto de Medicina Legal (IML), porém, confirmou que a morte ocorreu por asfixia. O diretor do IML, Flávio Fabres, informou ainda que o corpo apresentava sinais de tortura.
O delegado Diego Garcia explicou que a sequência do crime começou com a suspeita levantada pelo adolescente. "Alegou que se sentiu intimidado e ameaçado pela vítima que supostamente teria fotografado alguma parte do momento íntimo dos dois, ao passo que fez ele se algemar, simulando um fetiche, e, mediante o uso de uma airsoft, o constrangeu para entregar seu celular para que ele verificasse se havia mensagem ou fotografias em detrimento de sua pessoa, já que ele se acha um teólogo e por isso não poderia ter a imagem corrompida", disse o delegado.
Defesa fala em medo de exposição
Segundo a defesa, o adolescente confessou o homicídio e afirmou que agiu por medo de ter a orientação sexual exposta. A versão apresentada pela defesa é a de que ele se sentiu ameaçado pela possibilidade de as imagens do encontro serem divulgadas.
Após o crime, o adolescente ainda tentou deixar o hotel com o carro da vítima, mas não conseguiu. O delegado Cristiano Santana afirmou que ele então fugiu sozinho. "Ele tenta sair com o carro da vítima, mas não consegue e evade sozinho, em comportamento normal, inclusive fazendo postagens como se nada tivesse acontecido." O corpo de Washington foi encontrado por uma copeira quando ela entrou no quarto.
Pistola de airsoft, algemas e luva foram apreendidas
Durante as investigações, a Polícia Civil apreendeu uma pistola de airsoft, um par de algemas e uma luva cirúrgica. Segundo o delegado Diego Garcia, esses objetos foram essenciais para esclarecer a dinâmica do caso. "Existe um airsoft que foi apreendido. De fato existiram objetos que foram de grande valia para identificação, com elementos robustos que identificavam a participação do menor", afirmou.
A polícia também informou que não foram encontrados entorpecentes no quarto do hotel. As investigações continuam para apurar todos os detalhes do crime.
Adolescente tem 17 boletins de ocorrência no Rio Grande do Norte
O adolescente já era conhecido da polícia. Segundo a Polícia Civil, ele possui pelo menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte e já foi internado em uma unidade destinada a menores infratores. Entre os registros, há atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal em contexto de violência doméstica.
Com a confirmação da idade por papiloscopia, a Polícia Civil ressaltou que não houve mudança na forma de tratamento do suspeito. "Não tem nenhuma modificação maior em relação à conduta da polícia, porque ele já está sendo custodiado como se menor fosse e, na dúvida, a gente vai dar esse tratamento de menor para ele", disse Flávio Fabres.
Justiça mantém apreensão provisória por até 45 dias
Após a confirmação da idade, o adolescente foi encaminhado para a ala destinada a menores na carceragem da Polícia Civil, em João Pessoa. Na quarta-feira (29), a Justiça manteve a apreensão provisória do suspeito. Segundo a defesa, a medida tem prazo de até 45 dias. Caso não haja sentença nesse período, ele deverá ser colocado em liberdade.
A Polícia Civil informou que tem até dez dias para concluir o inquérito e encaminhar o caso ao Poder Judiciário. Depois disso, o Ministério Público analisará o procedimento para decidir se apresenta representação à Justiça. Em seguida, deverão ocorrer as audiências previstas no processo. Se houver aplicação de medida de internação, o adolescente passará por reavaliações periódicas, conforme prevê a legislação.



