Juiz aposentado fazia live antes de ponte desabar e ficou ferido no Acre
Juiz aposentado fazia live antes de ponte desabar no Acre

O juiz aposentado Edinaldo Muniz realizava uma transmissão ao vivo em uma rede social minutos antes do desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre. O acidente ocorreu no início da noite desta sexta-feira (5). Ele, o irmão e advogado Edinei Muniz, além de outras duas pessoas feridas, foram encaminhados ao Hospital João Câncio Fernandes. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, Edinaldo sofreu fraturas e será transferido para Rio Branco.

Críticas à obra

Edinaldo Muniz, que é criador de conteúdo em uma rede social, criticava a situação da ponte, que custou R$ 36 milhões. “Uma obra dessas, a gente espera que dure décadas, mas essa durou só dois anos”, ironizou, referindo-se à construção inaugurada no final de 2023. O ex-magistrado, que possui mais de 17 mil seguidores, costuma fazer postagens de cunho político e se autodenomina “Vereador Voluntário (sem cargo, sem assessor, sem verba de gabinete)”.

Atendimento aos feridos

Um vídeo mostra Edinei sendo atendido e recebendo tratamento para uma fratura no braço. As imagens revelam sua preocupação com o irmão: “Meu irmão, cara!”, diz ele. O advogado foi um dos feridos no desabamento.

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Detalhes do desastre

A ponte Frei Paulino Baldassari foi interditada na quinta-feira (4) devido ao risco de desabamento das margens do Rio Iaco. Inaugurada há dois anos e meio, a estrutura de 232 metros de extensão custou mais de R$ 36 milhões e possui duas pistas para veículos, além de calçadas para pedestres. Segundo os bombeiros, o trecho que desabou corresponde a 60% da estrutura. Equipes foram acionadas no início da noite após relatos de que pessoas que passavam pela ponte caíram no rio com o desabamento.

A ponte liga os distritos da cidade ao centro de Sena Madureira e recebeu o nome do Frei Paolino Baldassari, importante personalidade da região. O padre chegou ao Acre em 1954 e atuou em Brasiléia e Sena Madureira. Em 2017, a prefeitura instituiu o dia 8 de abril, data de sua morte, como feriado municipal.

Interdição e vistoria

Na quinta-feira, o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) já havia confirmado a interdição da ponte, com o tráfego desviado para uma ponte metálica conhecida como pontilhão. O órgão notificou a Construtora Cidade Ltda., responsável pela obra, que analisará as medidas a serem adotadas. A ponte segue sem previsão de liberação. Uma vistoria realizada no dia 28 de junho, após informações sobre uma fenda na estrutura, não identificou rachaduras ou comprometimento estrutural, segundo o Deracre.

Vídeo mostrava frestas

Um vídeo divulgado pelo vereador Maycon Moreira já mostrava frestas entre os blocos de concreto da ponte, indicando possíveis problemas estruturais.

Contexto regional

O fenômeno das “terras caídas”, comum na região amazônica, ocorre devido ao colapso ou erosão acelerada das margens dos rios. Esta é a segunda ponte interditada no município: na mesma sexta-feira, a ponte sobre o Rio Caeté, na BR-364, que liga Sena Madureira ao Vale do Juruá, também foi interditada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) após movimentação do solo.

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