A Polícia Civil investiga o incêndio que matou Ivano Vaz Cunha, de 49 anos, e sua enteada Laiane Cardoso Noleto, de 19 anos, em Araguaína, no norte do Tocantins. O caso ocorreu na quarta-feira (3) e apresenta semelhanças com um crime cometido pelo padrasto há 17 anos.
Histórico criminal de Ivano Vaz Cunha
Documentos da Justiça revelam que Ivano possuía uma longa ficha criminal, iniciada quase duas décadas antes de sua morte. Em 2007, ele se envolveu em um homicídio culposo no trânsito. Dois anos depois, em 2009, estuprou e matou outra enteada, Layla Athyla Maranhão Vales, de 19 anos. Por esses crimes, foi julgado e condenado.
Homicídio culposo em 2007
De acordo com a sentença, o homicídio no trânsito ocorreu em 16 de dezembro de 2007, no setor JK, em Araguaína. Na época, Ivano trabalhava como motorista profissional e, ao dirigir uma carreta, atropelou e matou um homem. A perícia apontou que a vítima foi atingida pelo pneu traseiro do veículo. Ivano fugiu sem prestar socorro, alegando posteriormente que teve medo de linchamento. A condenação ocorreu em 2025, com pena de dois anos e quatro meses de detenção por homicídio culposo na direção de veículo automotor, agravada pela omissão de socorro e pelo exercício da profissão. A Justiça determinou o cumprimento da pena em regime aberto e a suspensão da CNH pelo mesmo período. O g1 não conseguiu contato com o advogado de Ivano neste processo.
Estupro e homicídio em 2009
Em novembro de 2009, Ivano estuprou e asfixiou sua então enteada Layla Athyla Maranhão Vales, de 19 anos. Conforme denúncia do Ministério Público, após matá-la, ele ateou fogo ao corpo e à residência da família para ocultar os vestígios do crime. Em 2011, após julgamento de apelação, Ivano confessou os crimes de incêndio e homicídio e foi condenado a 35 anos de prisão em regime fechado. Ainda em 2011, ele tentou fugir da prisão. Devido a trabalhos na unidade penal, obteve redução da pena e progrediu para o regime semiaberto, com uso de tornozeleira eletrônica.
O delegado aposentado Silneyr Deófanes, responsável pela investigação na época, relembrou o crime: "Ele demonstrava ser uma pessoa fria e sem arrependimento. Um verdadeiro psicopata", afirmou. A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça informou que Ivano obteve benefício de trabalho externo para atuar no setor de vendas, podendo se deslocar por todo o Tocantins com tornozeleira. Todas as violações no monitoramento foram notificadas ao Poder Judiciário.
O incêndio de 2025
Segundo os bombeiros, os corpos de Ivano e Laiane foram encontrados carbonizados, sem roupas na parte inferior, após uma explosão. O corpo de Ivano estava sobre destroços de uma cama destruída pelas chamas. No local, foi apreendido um galão com vestígios de gasolina. A Polícia Militar confirmou que ambos estavam sem roupas na parte inferior do corpo. Os investigadores apontam semelhanças com o método usado no crime de 2009 contra Layla.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).



