Rafael Vinícius Silva de Souza, de 35 anos, morreu na noite de 20 de julho em uma rua de Catalão, no sudeste de Goiás, após esperar por duas horas por uma ambulância. Imagens de câmeras de segurança mostram ele implorando por ajuda e batendo de porta em porta nas casas vizinhas, sem que ninguém abrisse. O caso ganhou repercussão nacional.
Detalhes do ocorrido
De acordo com a tia da vítima, Keila Melo, que é vereadora em Rondon do Pará, Rafael deixou uma filha de 5 anos. "Ele deixou uma menina de 5 anos que está a todo momento perguntando cadê o pai", desabafou Keila ao g1. Apesar de ninguém ter aberto a porta, o morador Bruno Savicki Zanetti Mori afirmou que ele e outros vizinhos ligaram dezenas de vezes para o Corpo de Bombeiros e para a polícia, mas sempre recebiam a resposta de que não havia viatura disponível.
Investigação e causas da morte
A Polícia Científica informou que o corpo de Rafael foi encaminhado ao IML por suspeita de "intoxicação exógena por entorpecente" (uso de drogas). A causa da morte será confirmada apenas após exames laboratoriais, que devem ficar prontos entre 30 e 60 dias. Keila Melo afirma que a família está avaliando medidas legais. "Nós também acionamos alguns amigos aqui no nosso município, advogados, que estão vendo como se proceder perante o Ministério Público para exigir, no mínimo, essa abertura de inquérito por conta de toda a situação", disse.
Histórico e reações
Rafael havia se mudado do Pará para Catalão há cerca de nove anos para fazer tratamento contra dependência química. Durante o período, conheceu a esposa, enfermeira, que não estava presente quando ele passou mal. Ele trabalhava como caldeireiro em uma empresa de engenharia industrial até setembro de 2025, segundo um funcionário. Keila descreveu o sobrinho como uma pessoa bondosa: "Sabe aquela pessoa que não carrega maldade e que o tempo todo ele está disposto a ajudar? Ele era muito bom".
Até o momento, a família não recebeu contato da prefeitura de Catalão, da polícia ou do Governo de Goiás. Keila afirmou que a maior dor é a omissão do Estado: "Eu acho que a dor que nós carregamos maior hoje não é nem por conta dele ter falecido, foi a forma como tudo aconteceu". O g1 procurou o Ministério Público de Goiás, mas não obteve resposta até a última atualização.



