Guerra entre CV e TCP na Zona Norte do Rio já deixa oito mortos
Guerra entre CV e TCP no Rio deixa oito mortos

Uma violenta disputa territorial entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) já causou ao menos oito mortes na Zona Norte do Rio de Janeiro, aterrorizando bairros às margens da Avenida Brasil. Os confrontos, concentrados nas favelas de Tinta e Dourado, refletem a tentativa do TCP, liderado por Peixão, de expandir seu domínio para áreas próximas ao território controlado por Doca, chefe do CV.

Avanço do TCP e reação do CV

Segundo moradores e fontes policiais, a escalada da violência começou após a troca de comando na região, que alterou o equilíbrio de forças. Peixão, conhecido por sua atuação no TCP, busca consolidar o controle sobre a Cidade Alta e o Complexo de Israel, áreas historicamente dominadas pelo CV. Ontem, tiroteios intensos foram registrados no conjunto habitacional da Cidade Alta, com disparos que ecoaram por toda a Avenida Brasil.

Doca, líder do CV na Zona Norte, ordenou uma reação imediata para conter o avanço. Testemunhas relatam que homens armados circularam pelas comunidades durante a madrugada, resultando em confrontos que deixaram rastros de sangue e pânico entre os moradores. A polícia ainda não confirmou oficialmente o número de mortos, mas a contagem informal já chega a oito, incluindo suspeitos de ambas as facções.

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Impacto nos bairros da Zona Norte

Os bairros de Costa Barros, Pavuna e Anchieta, próximos à Avenida Brasil, vivem dias de medo. Comércios fecharam mais cedo, e o transporte público sofreu interrupções devido aos tiroteios. A comunidade de Tinta, uma das mais afetadas, registrou três mortes apenas nas últimas 48 horas. Já em Dourado, a situação é de sítio, com moradores se recusando a sair de casa.

“A gente não sabe se vai voltar vivo para casa. Os tiros começam de repente e não param”, relatou um morador que preferiu não se identificar. A polícia militar intensificou o patrulhamento na região, mas a topografia acidentada e a densidade de favelas dificultam a ação.

Histórico de rivalidade

A rivalidade entre CV e TCP é antiga, mas a disputa pela Zona Norte se acirrou nos últimos meses. O TCP, originado de uma dissidência do Terceiro Comando, busca expandir sua influência para áreas estratégicas como a Avenida Brasil, uma das principais vias de acesso ao Centro do Rio. O CV, por outro lado, resiste para não perder o controle de pontos de venda de drogas e rotas de abastecimento.

Especialistas em segurança pública apontam que a troca de lideranças no CV, com a prisão de alguns chefes, pode ter aberto espaço para o avanço do TCP. “A desestabilização interna do CV cria oportunidades para grupos rivais”, afirmou um analista que acompanha o caso. A situação deve se agravar nas próximas semanas, com a expectativa de novas tentativas de invasão.

Reação das autoridades

Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública do Rio não se pronunciou oficialmente sobre o número de mortos, mas confirmou que investiga os confrontos. A Delegacia de Homicídios da Capital abriu inquérito para apurar as circunstâncias das mortes. A Polícia Civil realizou operações nas favelas de Tinta e Dourado nesta manhã, apreendendo drogas e armas, mas sem prisões.

Moradores cobram ações mais efetivas do poder público. “A polícia só entra depois que os corpos caem. Precisamos de prevenção”, desabafou uma líder comunitária da região. Enquanto isso, a guerra entre facções segue transformando a Zona Norte em um campo de batalha, com a Avenida Brasil como testemunha silenciosa dos confrontos.

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