Fapesp destina R$ 400 milhões para pesquisa em segurança pública e inovação
Fapesp investe R$ 400 mi em segurança pública e ciência

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) apresentou uma agenda ambiciosa para o período de 2026 a 2028. O plano prevê a aplicação de R$ 400 milhões em iniciativas inovadoras, que se somam ao orçamento anual de R$ 2 bilhões já destinado a projetos regulares. Os recursos serão direcionados a propostas consideradas estratégicas para os desafios do século 21, divididas em sete eixos: biotecnologia, transição energética, biodiversidade e segurança alimentar, transição digital e inteligência artificial, tecnologias quânticas, saúde humana e animal, e violência e segurança pública.

A decisão da Fapesp de financiar projetos de pesquisa de alto impacto com foco em soluções científicas para a criminalidade no Brasil merece reconhecimento. Ao incluir a violência e a segurança pública como tema estratégico, a agência demonstra alinhamento com as preocupações da sociedade brasileira. De acordo com a mais recente pesquisa Genial/Quaest, a violência é a principal preocupação para 31% dos entrevistados, seguida pela corrupção, com 18% das menções — ambos temas relacionados ao crime.

Como destacou Marco Antonio Zago, presidente da Fapesp, em artigo publicado no Estadão (Ciência de resultados), a violência e a segurança pública não devem ser tratadas apenas como questões policiais ou políticas, mas também como desafios científicos. Zago está correto, pois, nos últimos anos, o Brasil abordou a criminalidade de forma restrita, sem respostas eficazes. Pelo contrário, o crime organizado avançou e agora assusta a sociedade. Esse crescimento evidencia o fracasso do populismo penal, que prioriza operações policiais violentas e o endurecimento de penas.

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O crime organizado representa uma ameaça concreta à sociedade e à economia formal. Cada vez mais semelhantes às máfias, as facções criminosas infiltram-se em negócios lícitos e na política, colocando em risco cidadãos, a democracia e o Estado brasileiro, que já apresenta contornos de narcoestado. Por isso, o combate à criminalidade em São Paulo e em todo o Brasil com o apoio da ciência traz esperança.

A ciência exige testes de hipóteses, produção de dados, métodos analíticos e uso de tecnologias, como inteligência artificial, entre outras ferramentas. Com o financiamento da Fapesp, as melhores mentes do Brasil, de diversas áreas do conhecimento, poderão estimular o debate sobre violência e segurança pública e impulsionar respostas efetivas.

A Fapesp já apoiou iniciativas bem-sucedidas, como os programas Genoma, os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão e inúmeras startups. Agora, a ciência também estará a serviço da formulação de políticas públicas de segurança baseadas em evidências — ou seja, eficazes e voltadas para o bem-estar dos cidadãos. Não há dúvida de que uma sociedade pacificada é um ambiente mais seguro e próspero para a inovação, o desenvolvimento econômico e a transformação social.

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