Há dois anos, uma família em Rio Claro (SP) vive com medo do desabamento da própria casa. O imóvel, localizado em área urbana, apresenta dezenas de rachaduras que, segundo as moradoras, surgiram após o rompimento de uma adutora de água na rua. A professora aposentada Mirian Gandolpho, de 82 anos, que mora na casa há 57 anos, relata ansiedade, angústia e medo constantes. "Segundo as pessoas que vieram aqui, bem competentes, disseram que estou em perigo aqui porque as paredes estão se movendo, não estão intactas, então a gente fica receosa que aconteça algo pior", contou Mirian.
Rachaduras se alastram e comprometem estrutura
As rachaduras no imóvel são extensas: algumas começam perto do chão e vão até o teto; outras têm mais de um dedo de largura, permitindo enxergar o tijolo. O portão da residência está desalinhado e só se mantém fechado com uma corrente. A analista de Recursos Humanos Maria Fernanda Espadoto, filha de Mirian, descreveu o momento do rompimento: "A casa tinha rachado, tinha tido tipo um terremoto. Um estrondo horrível". A janela da sala aparenta poder cair a qualquer momento; a porta e o rodapé estão praticamente soltos. Segundo Maria Fernanda, os trincos aumentam cada vez mais.
Impacto na saúde e rotina familiar
Mirian precisou mudar de quarto porque, além do medo de desabamento, quando chove a água escorre pelo teto e pelas paredes. A filha afirmou que a mãe não dorme mais à noite, só chora e passou a tomar antidepressivo. A garagem foi desativada — o carro fica na rua, gerando mais preocupação. "Então tirou toda a nossa paz", disse Mirian. Maria Fernanda explicou que metade da casa precisa ser reconstruída: "Não dá para ser remendada. Ela tem que ser demolida e construída a metade para estar como ela estava antes, que era habitável para nós".
Posição do Daae sobre o caso
Procurado, o Departamento Autônomo de Água e Esgoto (Daae) de Rio Claro afirmou, em nota, que não está fugindo da responsabilidade, mas que precisou recorrer à Justiça por envolver recursos públicos. Segundo o Daae, pela lei, uma ação como essa precisa passar por análise administrativa ou pelo Poder Judiciário para verificar se existe direito à indenização e se há responsabilidade da autarquia. Após essa conclusão, cumprirá o que for definido. A autarquia informou que um laudo pericial apontou que "não há risco iminente de ruptura" e que tem prestado todas as informações necessárias à Justiça para o andamento do processo.
Família aguarda solução judicial
Maria Fernanda afirmou que atendeu todas as solicitações do Daae e da Justiça, mas pede uma solução urgente. "A gente quer só ser ressarcido do que é o direito nosso, da parte que o engenheiro viu, que já fez". Enquanto aguardam, a família convive diariamente com o medo de que a casa desabe.



