Facções usam clubes e pousadas para lavar dinheiro no Rio
Facções usam clubes e pousadas para lavar dinheiro no Rio

O Comando Vermelho (CV) ampliou suas operações ilegais ao controlar espaços de lazer para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e outras atividades clandestinas. Segundo a Polícia Civil, o Várzea Country Club, localizado em Água Santa, na Zona Norte do Rio, e uma pousada em Búzios, na Região dos Lagos, foram utilizados para ocultar recursos, movimentando mais de R$ 11 milhões. A análise de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

Investigação e cumprimento de mandados

Policiais civis cumpriram dez mandados de busca e apreensão em endereços ligados à quadrilha. As investigações apontam que uma família ligada a Jean Carlos do Nascimento Santos, conhecido como Jean do 18, chefe do tráfico em uma favela de Água Santa, assumiu a administração do Várzea, controlando eventos e o orçamento do clube.

Além do Várzea, a polícia descobriu que o CV tentou controlar o Social Clube Marabu, no Encantado, também na Zona Norte. Os dirigentes denunciaram ameaças para entregar a administração do espaço a pessoas ligadas a Jean do 18. O grupo exigia pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir que o local continuasse aberto sem represálias.

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Esquema semelhante no Várzea

A investigação, conduzida pela 52ª DP (Nova Iguaçu), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio (MPRJ), encontrou indícios de esquema semelhante no Várzea, principal alvo da ação. A delegada Kely de Araujo Goularte explicou: “Era o traficante Jean Carlos que queria colocar pessoas de sua confiança na administração daquele clube. Através dessa denúncia, a gente conseguiu identificar esse núcleo familiar que já estava gerenciando o Várzea”.

Pousada em Búzios também era usada

A mesma família administrou até janeiro deste ano uma pousada em Búzios, com 16 quartos. O estabelecimento movimentou cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses e registrou 602 depósitos em espécie, totalizando R$ 955 mil. Esses valores reforçam a suspeita de lavagem de dinheiro, pois são incompatíveis com a capacidade financeira dos envolvidos.

As autoridades continuam investigando para desarticular completamente o esquema e identificar outros envolvidos. A operação representa um duro golpe contra a lavagem de dinheiro do crime organizado no estado do Rio de Janeiro.

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