O exame pericial para determinar a idade do adolescente suspeito de assassinar Washington Rodrigo, de 33 anos, em um hotel na orla de João Pessoa, foi inconclusivo. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (29) pelo perito Flávio Fabres à TV Cabo Branco. Segundo Fabres, foram utilizados elementos dentários para estimar a idade do suspeito, mas o resultado não foi definitivo por causa da transição para a maioridade.
Perícia inconclusiva e tratamento como menor
De acordo com Fabres, a análise dos dentes não permitiu estabelecer se o jovem já atingiu 18 anos. "Como ele está na transição da maioridade, infelizmente, com o exame não foi possível estabelecer maioridade do indivíduo, então o exame restou inconclusivo. Pelo fato do indivíduo ter um porte avantajado e não parecer, à vista da população, como um menor, e os elementos dentários não apresentarem completamente expostos, não foi possível ao perito estabelecer a maioridade", explicou.
Enquanto a investigação busca outros documentos para comprovar a idade oficialmente, o jovem continuará sendo tratado como menor de idade. Documentos apresentados por familiares e registros do histórico do suspeito serão reunidos e encaminhados à Justiça e ao Ministério Público. "Não tem nenhuma modificação maior em relação à conduta da polícia, porque ele já está sendo custodiado como se menor fosse e, na dúvida, a gente vai dar esse tratamento de menor para ele", afirmou Fabres.
Suspeito se apresenta em Caicó e é transferido
O adolescente chegou a João Pessoa na manhã de terça-feira (28), após ser ouvido em Caicó, no Rio Grande do Norte. Ele se apresentou à 3ª Delegacia Regional de Caicó na tarde de segunda-feira (27), acompanhado de um advogado. Em depoimento, alegou que cometeu o crime por medo de ter a relação exposta. Segundo o delegado Diego Garcia, responsável pela investigação, o contato entre os dois ocorreu por um site de relacionamentos. Após o encontro, o suspeito se sentiu intimidado pela vítima, que supostamente teria fotografado o momento íntimo. Ele usou uma réplica de arma de fogo (airsoft) para obrigar a vítima a entregar a senha do celular.
"Alegou que se sentiu intimidado e ameaçado pela vítima que supostamente teria fotografado alguma parte do momento íntimo dos dois, ao passo que fez ele se algemar, simulando um fetiche, e, mediante o uso de uma airsoft, o constrangeu para entregar seu celular para que ele verificasse se havia mensagem ou fotografias em detrimento de sua pessoa, já que ele se acha um teólogo e por isso não poderia ter a imagem corrompida", disse Garcia.
Estrangulamento com cabo de secador
Após obter o celular, o adolescente usou o cabo do secador de cabelo do hotel para estrangular Washington Rodrigo. Segundo o delegado, a intenção declarada era apenas deixar a vítima desacordada para conseguir sair do quarto. O delegado Cristiano Santana, superintendente da Polícia Civil da Paraíba, afirmou que, depois do crime, o jovem tentou sair com o carro da vítima, mas não conseguiu. "Ele tenta sair com o carro da vítima, mas não consegue e evade sozinho, em comportamento normal, inclusive fazendo postagens como se nada tivesse acontecido."
A perícia não encontrou entorpecentes no quarto, mas localizou uma luva cirúrgica. Os investigadores apreenderam a pistola de airsoft e as algemas, objetos que ajudaram a esclarecer o caso. "Existe um airsoft que foi apreendido. De fato existiram objetos que foram de grande valia para identificação, com elementos robustos que identificavam a participação do menor", afirmou o delegado.
Histórico criminal do adolescente
Durante coletiva, a Polícia Civil informou que o adolescente possui ao menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte, além de já ter sido internado em unidade para menores infratores. Entre os registros há atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal.
Relembre o caso
Washington Rodrigo, de 33 anos, foi encontrado morto na sexta-feira (24) em um quarto de hotel na orla de Manaíra, em João Pessoa. O corpo estava sobre a cama, com as mãos amarradas, um fio enrolado no pescoço e um pano na boca. O adolescente teria usado um nome falso para se hospedar e deixou o local sem registrar saída. Familiares disseram à TV Cabo Branco que Washington trabalhava como motorista autônomo e havia informado à mãe que faria uma corrida para Pipa, no Rio Grande do Norte, antes de desaparecer. A investigação é conduzida pela Delegacia da Infância e da Juventude de João Pessoa.



