A Polícia Civil do Espírito Santo investiga a suspeita de envenenamento de cães que passearam em uma praça no bairro BNH, em Linhares, no Norte do estado. Um husky siberiano de 5 anos, chamado Dunk, morreu, e outros dois animais precisaram ser internados após apresentarem sintomas compatíveis com intoxicação. As tutoras registraram boletins de ocorrência e cobram a identificação do responsável.
Morte do husky e sintomas dos outros cães
Segundo a tutora de Dunk, a advogada Nayla Speroto, o cachorro passeou normalmente pela praça na noite de segunda-feira (6), mas foi encontrado morto na manhã seguinte. "A gente chegou em casa, ele comeu a ração dele, bebeu água, brincou normalmente. Fomos dormir e os cachorros começaram a passar mal de madrugada. Vomitaram. Fizemos os primeiros socorros. Acalmamos eles e melhoraram. O Dunk, infelizmente, não deu nenhum sinal, não vomitou, agiu normalmente. Só encontramos morto de manhã", contou Nayla. Ela também percebeu um comportamento diferente do animal durante o passeio: "Dunk ficou farejando muito. Puxava na coleira. Estranhei que tinha alguma coisa, mas não imaginei que poderia ser veneno."
Além de Dunk, outros dois cães da família passaram mal durante a madrugada, mas sobreviveram após receberem os primeiros cuidados.
Outros cães também passaram mal
O caso não foi isolado. As cadelas Dolly e Gaia, da professora Adriana Vilela, também apresentaram sintomas após passearem na mesma praça. "A gente acompanhou. Achamos que seria um episódio pontual, mas continuaram a evacuar, diarreia e nossa Dolly começou a ter hemorragia", relatou Adriana. As duas cadelas ficaram internadas por dois dias em uma clínica veterinária. Segundo ela, os veterinários passaram a tratar o caso como suspeita de envenenamento depois que souberam da morte do husky. "Podia ser um mal-estar alimentar? Sim. Mas quando dissemos que houve um falecimento, eles começaram o protocolo de envenamento."
As tutoras afirmam que ainda não se sabe de que forma o suposto veneno teria sido deixado na praça nem como os animais o ingeriram. No dia seguinte à morte de Dunk, Nayla voltou ao local, mas disse que não encontrou nenhum material suspeito.
Investigação policial e Lei Sansão
O caso é investigado pela Polícia Civil. O delegado Eudson Ferreira Bento informou que equipes já realizam diligências para identificar o responsável. "Desde ontem foram feitas diligências a fim de achar o culpado e esclarecer melhor os eventos. Em 2020, foi sancionada a Lei Sansão, em que as penas contra maus-tratos contra gatos e cachorros são de dois a cinco anos. Como houve morte, poderá haver aumento de pena."
Enquanto aguardam o avanço das investigações, moradores dizem estar inseguros para passear com os animais na praça. "E agora a gente está 'vamos? Não vamos?'. Então temos que ir para um espaço longe da nossa residência. É uma pena", afirmou Adriana.
Repercussão e comoção
A morte de Dunk abalou a família. O cachorro vivia com os tutores havia cinco anos. "A gente está totalmente com o coração dilacerado, casa com um vazio. Eu tenho sofrido muito, porque era um cachorro que amava muito e tinha como se fosse um filho", disse a professora Norma Speroto.



