Um eletricista de 38 anos foi preso em flagrante nesta quarta-feira (15) em Franca, interior de São Paulo, suspeito de instalar equipamentos em medidores de energia para fraudar o consumo em empresas e residências, no esquema conhecido como “gato”. A prisão ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa do investigado, onde foram encontrados materiais usados nas fraudes, segundo a Polícia Civil.
Investigação começou após queda brusca no consumo
As investigações tiveram início depois que a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) identificou uma redução abrupta no consumo de uma empresa localizada no Distrito Industrial. O estabelecimento pagava cerca de R$ 20 mil por mês de energia, mas a conta caiu para aproximadamente R$ 2 mil após a instalação de jumpers no medidor, de acordo com a polícia. Os jumpers são dispositivos utilizados para desviar a corrente elétrica do soquete do medidor, enganando a medição real do consumo.
Como a polícia chegou ao suspeito
Segundo a Polícia Civil, a CPFL fiscalizou a empresa depois de detectar a redução no consumo. Durante a apuração, o proprietário do estabelecimento informou quem teria realizado a instalação do equipamento. A partir dessa informação, os policiais passaram a investigar o eletricista. O delegado Eduardo Lopes Bonfim, do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Franca, afirmou que o suspeito já era monitorado pela polícia. “Esse rapaz já estava sendo mais ou menos monitorado, mas cada vez que a gente fazia operação ele recolhia, procurava não fazer esse tipo de serviço, até mesmo com medo de ser pego”, declarou.
Os investigadores também analisaram o consumo de energia da residência do suspeito. “Foi pedido um mandado de busca. Depois do levantamento do local onde ele morava, a conta de energia elétrica também não batia com o tamanho da residência”, disse Bonfim.
Funcionamento da fraude
De acordo com a investigação, o suspeito instalava jumpers nos medidores de energia. Esses dispositivos interferiam na medição e faziam com que parte do consumo não fosse registrada corretamente, resultando em contas de luz abaixo do consumo real. A polícia identificou um padrão nas fraudes, o que ajudou a localizar o suspeito. O eletricista cobrava entre R$ 2 mil e R$ 10 mil por instalação, e o serviço era oferecido a comércios, indústrias e residências.
Próximos passos da investigação
O delegado afirmou que a Polícia Civil deve solicitar à Justiça a quebra do sigilo bancário do suspeito para identificar quem efetuou pagamentos a ele e descobrir outros possíveis locais onde a fraude pode ter sido instalada. “Outra coisa que vai ser feita dentro do inquérito é o levantamento para ver o quanto ele estava ganhando por mês, de onde estava vindo esse dinheiro. Tudo isso vai ser feito dentro do inquérito, com um pedido ao juiz para haver uma quebra da conta bancária dele”, explicou Bonfim. Novas diligências devem ser realizadas com base no cruzamento de informações bancárias, dados de consumo e fiscalizações da CPFL.
Em nota, a CPFL informou que fraudar o fornecimento de energia elétrica é crime e orientou a população a denunciar casos suspeitos pelos canais da empresa ou à polícia, pelos telefones 190 e 181.



