Mari Campos concluiu uma expedição particular ao Ártico, organizada pela Latitudes - Viagens do Conhecimento, após anos de desejo. Durante quase duas semanas, ela acordou entre geleiras, cachoeiras polares, picos nevados e placas de gelo, avistando ursos, focas, renas, morsas, raposas e diversas aves. A viagem focou no arquipélago de Svalbard, na Noruega, uma região remota e fascinante.
Crise climática no polo norte
Assim como na Antártica, a crise climática impacta o polo norte e os oceanos globais. A região perdeu 95% do gelo marinho desde os anos 1980, segundo a expedição. Em Svalbard, as temperaturas sobem mais rápido que a média global, acelerando o derretimento das calotas polares, ameaçando ecossistemas e elevando o nível do mar.
Tempo geológico versus tempo humano
Nas regiões polares, o tempo desafia a percepção humana. A luminosidade constante, mesmo sem sol, anula noções convencionais de passagem do tempo. O presente convive com o passado profundo do planeta, com rochas de mais de um bilhão de anos. O futuro é incerto, com o derretimento acelerado do gelo marinho. Glaciares que levaram centenas de milhares de anos para se formar podem desaparecer em uma geração.
A experiência a bordo
O navio navegou lentamente entre o gelo marinho, proporcionando espetáculos naturais. Mari passou horas na proa e nos decks, especialmente ao atingir a Latitude 81N, um sonho antigo. Nos desembarques, a vida selvagem era escassa, mas o gelo era abundante, com focas, flores na tundra e cachoeiras polares. A impaciência do cotidiano desaparecia diante da observação do gelo se rompendo ou de belugas brincalhonas.
Ritmo lento e urgência climática
Nada no Ártico tem hora marcada. A espera pelos desembarques, o fascínio pelos blocos de gelo, a mudança do vento, a neblina, as morsas e as baleias ditam o ritmo. Um avistamento pode mudar planos em segundos. O jantar é interrompido por uma baleia minke ao lado do navio. Mari reflete que cada minuto é um presente, mas a crise climática impõe urgência.
Expedição com palestras e imersão
A expedição, exclusiva para brasileiros, incluiu desembarques, observação de vida selvagem e palestras de especialistas em filosofia, biologia e outros campos, todas sobre o tema "a natureza do tempo". A bordo, conforto, boa mesa e discussões enriquecedoras complementaram a imersão na natureza selvagem do polo norte. Mari conclui que o tempo passado no Ártico continua voltando ao pensamento, ecoando Caetano Veloso: "tempo, compositor de destinos, és um dos deuses mais lindos".



