Uma suposta dívida de aproximadamente R$ 600 envolvendo a negociação de um alto-falante foi o motivo do assassinato do comerciante Jonathan Carvalho dos Santos, de 35 anos, na madrugada de 14 de junho, em Viana, na Grande Vitória. As informações foram divulgadas pela Polícia Civil nesta terça-feira (28). Um casal foi indiciado pelo crime.
Investigação aponta motivação fútil
Segundo a investigação da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, Renan de Jesus Vicente é apontado como autor dos disparos que mataram a vítima. Já Sheyla Vitória de Oliveira foi indiciada por participação no homicídio, por supostamente instigar o crime e fornecer a arma utilizada na execução. O g1 não conseguiu localizar a defesa dos suspeitos.
De acordo com o delegado Cleudes Júnior, responsável pela investigação, o suspeito foi identificado logo após o homicídio e fugiu para o Rio de Janeiro. Nove dias depois, ele foi localizado e preso temporariamente quando chegava para trabalhar em uma empresa no bairro Tucum, em Cariacica. "No momento da prisão, ele estava com o aparelho celular em modo avião e sem chip inserido. Isso demonstra que ele estaria tentando dificultar a localização e fugir da aplicação da lei penal", disse o delegado.
Conversas no celular reforçaram investigação
Após a prisão, o celular do investigado foi periciado com autorização judicial. Segundo a Polícia Civil, o aparelho continha conversas em que o suspeito confessava o crime e fazia comentários em tom de deboche. Ainda conforme a investigação, as mensagens também mostraram que, cinco dias antes do homicídio, o homem já procurava a vítima para cobrar o alto-falante. "Fui lá atrás do meu alto-falante, onde o coelho tava. Ele deu sorte", escreveu o investigado em uma das conversas, segundo o delegado.
As mensagens também indicaram que a companheira do suspeito teria presenteado o homem com uma arma de fogo e que foi ao encontro dele logo após o crime. A polícia acredita que ela possa ter recebido a arma utilizada na execução antes de o suspeito fugir para o Rio de Janeiro. Durante uma operação na casa da mulher, em Nova Brasília, Cariacica, os policiais apreenderam uma pistola calibre .380 com numeração raspada, dois carregadores e munição. Segundo a polícia, o calibre é o mesmo das cápsulas encontradas no local do homicídio. A arma foi encaminhada para exame de microcomparação balística.
Crime foi registrado por câmeras
Segundo o delegado, o suspeito estava em uma distribuidora quando viu, pelas redes sociais, que Jonathan estava no Parque Linear de Canaã. Ele foi até o local acompanhado de um amigo com a intenção de retirar o alto-falante do carro de som da vítima. As imagens analisadas pela investigação mostram o momento em que o suspeito começa a retirar o equipamento. Em seguida, Jonathan e a esposa chegam ao local e discutem com ele. A polícia informou que, durante a discussão, o investigado sacou a arma e efetuou os primeiros disparos.
Mesmo com a vítima caída, ele continuou atirando. "A esposa da vítima ainda suplica, entra na frente e pede para que o Renan não mate o marido dela, só que ele fala para ela sair da frente, senão ele mataria ela também. Com a vítima já caída, ele desfere outros quatro disparos", relatou o delegado.
Mulher responde em liberdade
A companheira do suspeito foi presa em flagrante no dia 17 de julho por posse de arma de fogo com numeração raspada. Ela passou por audiência de custódia e foi autorizada pela Justiça a responder ao processo em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica e proibição de deixar a comarca. Posteriormente, ela também teve a prisão preventiva decretada no inquérito do homicídio, mas voltou a receber o direito de responder ao processo em liberdade, nas mesmas condições, em razão de ter uma filha pequena. Já o homem permanece preso.
Segundo a Polícia Civil, os dois foram indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. "A gente está falando de um homicídio praticado por causa de um alto-falante de aproximadamente R$ 600. É um caso que evidencia a banalização da vida", afirmou o delegado Cleudes Júnior.
Sobre a morte
Jonathan Carvalho dos Santos foi morto a tiros na madrugada do dia 14 de junho, no Parque Linear de Canaã, em Viana. Desde o primeiro momento, familiares da vítima suspeitavam que a morte teria relação com uma dívida. Horas antes do crime, o Parque Linear de Canaã recebeu uma festa com música ao vivo para torcedores acompanharem a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo. Segundo a prefeitura, após o encerramento do evento, dois ambulantes continuavam funcionando além do horário permitido e havia carros com som na praça.
Jonathan era dono de uma distribuidora de bebidas em Cariacica, também na Grande Vitória. Segundo a Polícia Militar, ele foi baleado por volta das 3h e chegou a ser socorrido para o Pronto Atendimento (PA) de Arlindo Villaschi, mas deu entrada na unidade já sem vida. A Prefeitura de Viana informou que os empreendedores e ambulantes autorizados a atuar no Parque Linear de Canaã são previamente cadastrados e possuem horários específicos de funcionamento definidos pelo município, sendo até meia-noite para alguns segmentos e até 1h da manhã para outros. A Prefeitura instaurou procedimentos administrativos necessários para apurar o descumprimento das regras de funcionamento por parte dos permissionários envolvidos. As medidas previstas incluem advertência, multa e até suspensão da autorização para exercício das atividades, conforme a gravidade da infração apurada.



