A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) encaminhou dados ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público (MP) após um alerta de suspeita de manipulação esportiva envolvendo o meia argentino Lucho Acosta, do Fluminense. O jogador recebeu um cartão amarelo na partida contra o Bragantino, válida pelo Campeonato Brasileiro de 2026, e a movimentação anormal nas apostas chamou a atenção da empresa de monitoramento Sportradar.
Alerta da Sportradar aciona investigação
A Sportradar, empresa especializada em detectar fraudes em apostas esportivas, emitiu um relatório apontando picos de apostas no cartão amarelo de Acosta durante o jogo. O alerta foi enviado à CBF, que, seguindo o protocolo, compartilhou os dados com os órgãos competentes. A investigação busca esclarecer se houve intenção do jogador em receber o cartão para beneficiar apostadores.
Segundo fontes ligadas à CBF, o sistema de monitoramento identificou um volume incomum de apostas concentradas no momento exato em que Acosta cometeu a falta que gerou o amarelo. A partida, disputada no Maracanã, teve o Fluminense vencendo por 2 a 0, e o cartão foi aplicado pelo árbitro aos 34 minutos do segundo tempo.
Acosta nega envolvimento e segue em atividade
Lucho Acosta, por meio de seus advogados, negou qualquer participação em esquema de manipulação. Em nota, o jogador afirmou que "o cartão amarelo foi um lance normal de jogo, sem qualquer intenção de beneficiar apostas". Ele disse estar à disposição para colaborar com as investigações.
Enquanto aguarda o desenrolar do caso, Acosta segue treinando normalmente com o elenco do Fluminense e deve ser relacionado para a próxima partida contra o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro. O técnico do time ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.
Papel dos órgãos investigativos
O STJD abrirá um inquérito para apurar possíveis infrações ao Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que prevê punições para atletas envolvidos em manipulação de resultados. Já a Polícia Federal e o Ministério Público investigarão se houve crime de fraude em competição esportiva, que pode resultar em penas de reclusão.
A CBF também solicitou um relatório complementar à Fifa, que possui um sistema global de monitoramento de apostas. O documento deve chegar nos próximos dias e pode trazer mais detalhes sobre as movimentações suspeitas.
Histórico de alertas no futebol brasileiro
Casos de suspeita de manipulação em jogos do futebol brasileiro têm se tornado mais frequentes. Em 2025, a Sportradar emitiu mais de 30 alertas para partidas no país, dos quais cerca de 10 resultaram em investigações formais. O caso de Lucho Acosta é um dos primeiros de 2026 a ganhar repercussão.
Especialistas em integridade esportiva destacam que a colaboração entre CBF, STJD, PF e MP é fundamental para coibir práticas ilegais. "A rapidez na comunicação entre os órgãos aumenta as chances de responsabilização", afirmou um analista de compliance consultado pela reportagem.
Próximos passos da investigação
O STJD deu prazo de 15 dias para a CBF apresentar documentos adicionais. Enquanto isso, a PF já iniciou a oitiva de testemunhas, incluindo árbitros e dirigentes do jogo. Acosta deverá ser ouvido nos próximos dias.
A CBF reforçou que está comprometida com a transparência e que não tolera manipulação no futebol brasileiro. "Estamos tomando todas as medidas para que os responsáveis sejam punidos", disse um porta-voz da entidade, que não quis se identificar.
O Fluminense, por sua vez, emitiu nota oficial informando que acompanha o caso e confia na inocência de seu atleta. O clube colocou seu departamento jurídico à disposição para colaborar com as autoridades.



