Roberta Sá emociona no Theatro Municipal com orquestra feminina
Roberta Sá emociona no Municipal com orquestra feminina

Na noite de segunda-feira, 27 de julho de 2025, Roberta Sá subiu ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro para uma apresentação histórica. A emoção foi visível: a cantora embargou a voz ao mencionar que sua filha Lina, nascida em 19 de dezembro de 2022 – dia em que Roberta completou 42 anos –, estava na plateia, com três anos e meio. “É um sonho ver um futuro para nossas meninas com mais escolhas e liberdade”, declarou a artista, em meio a lágrimas.

Palco de mulheres

O espetáculo, intitulado “Tudo que cantei sou”, foi reapresentado em moldura sinfônica com a Nova Orquestra, formação inteiramente feminina regida pela maestra Ludhymila Bruzzi. A plateia, composta por homens e mulheres de várias gerações, contrastava com o palco, onde a presença feminina era quase absoluta. A apresentação inaugurou a série “Encontros” do teatro.

Além da orquestra, Roberta contou com os músicos Alaan Monteiro (bandolim) e Gabriel de Aquino (violão), que já a acompanhavam no show desde sua estreia em junho de 2025. O roteiro da noite seguiu o mesmo da primeira apresentação, mas a orquestra não foi mero adereço: “Ela foi a própria massa do bolo”, destacou a crítica. As instrumentistas, vestidas de preto, criaram uma base sonora leve e elegante que revestiu canções como “Pavilhão de espelhos” (Lula Queiroga, 2012), harmonizando-se com o canto límpido da artista.

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Repertório celebrado

O show foi idealizado para celebrar os 20 anos de carreira de Roberta Sá, contados a partir do álbum “Braseiro” (2005). A cantora gabou-se de ter ganhado sambas de Adriana Calcanhotto (“Me erra”) e Martinho da Vila (“Amanhã é sábado”), ambos incluídos no álbum “Delírio” (2015). Independentemente da orquestra, o refrão de “Sem avisar” (2022), composição de Wanderley Cardoso, inebriou pela inspiração. E o ijexá “Água doce” (2010), de Roque Ferreira, foi descrito como “obra-prima” – “de cantar rezando”, segundo a análise.

A noite de gala foi registrada em vídeo, com intenções profissionais. “Já estive neste palco, mas nunca com o meu repertório”, ressaltou Roberta Sá em sua primeira fala ao público. O show fluiu perfeito no formato orquestral, e o registro audiovisual promete eternizar a apresentação.

Impacto e significado

Além da proeza musical, a apresentação teve forte simbolismo: a orquestra exclusivamente feminina e a presença da filha na plateia reforçaram a mensagem de empoderamento e liberdade. Roberta Sá, que já havia se apresentado no Theatro Municipal em outras ocasiões, viveu ali um marco pessoal e artístico. O repertório, que passeia por sambas, ijexás e canções românticas, ganhou nova dimensão com os arranjos orquestrais, elevando a experiência do público.

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