Dossiê Mulher 2026: discurso 'redpill' e misógino é analisado no RJ
Dossiê Mulher 2026: discurso redpill e misógino no RJ

O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) divulgou nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, o Dossiê Mulher 2026, que pela primeira vez analisa os discursos misóginos e o movimento 'redpill' nas redes sociais como fatores que incitam a violência contra a mulher. O estudo não se limita aos números, mas investiga as estratégias discursivas que naturalizam a agressão e transferem a responsabilidade para as vítimas.

Dados alarmantes de violência no estado

Em 2025, o Rio de Janeiro registrou 159.041 casos de violência contra mulheres, incluindo agressões físicas, psicológicas, sexuais e patrimoniais. A violência psicológica praticada por meios digitais cresceu 20,6% em relação ao ano anterior, evidenciando o avanço do assédio e da intimidação online. O dossiê aponta que esses discursos não são isolados, mas fazem parte de uma estratégia organizada de disseminação de ódio.

Análise do discurso 'redpill' e misoginia

Pesquisadores do ISP-RJ mapearam postagens em fóruns, grupos de WhatsApp, Telegram e redes sociais abertas que promovem a chamada 'redpill' – termo inspirado no filme Matrix que, nesse contexto, prega uma suposta verdade sobre as relações de gênero, colocando mulheres como manipuladoras e inferiores. O estudo identificou o uso de 'pseudo evidências' e 'masking pill' – técnicas que distorcem dados ou camuflam o discurso de ódio com argumentos pseudocientíficos. 'Essas estratégias dificultam a identificação do conteúdo misógino e ampliam seu alcance, especialmente entre jovens', afirma o coordenador da pesquisa, delegado Marcos Oliveira.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Responsabilização dos agressores

O dossiê destaca a importância de responsabilizar os autores dos discursos, e não apenas as vítimas, como historicamente ocorre. A investigação policial, em parceria com delegacias especializadas, já identificou perfis e grupos que propagam esses conteúdos. 'Não basta orientar a mulher a se proteger; é preciso punir quem incita o ódio e a violência', reforça a secretária de Estado da Mulher, Ana Paula Rodrigues. O estudo serve de subsídio para políticas públicas e ações educativas, além de embasar operações contra crimes cibernéticos de gênero.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar