Jogo do bicho: disputa por R$ 5 mi/mês levou a investigação de ex-deputado preso na Bolívia
Disputa por R$ 5 mi/mês no jogo do bicho levou a investigação de ex-deputado

Uma disputa por pontos do jogo do bicho que rendiam cerca de R$ 5 milhões por mês foi o estopim da investigação que resultou na prisão do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Souza, o Fernando Princesa, na Bolívia. A informação foi revelada pelo jornal O Globo, que teve acesso aos autos do processo.

Entenda o caso

Fernando Princesa, que também é conhecido como 'Princesa', foi preso em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em julho deste ano, após ter sido condenado pela Justiça brasileira por envolvimento com o jogo do bicho. A disputa pelos pontos de exploração do jogo, que geravam uma receita milionária, teria levado a ameaças e até mesmo a um atentado contra um rival.

Segundo as investigações, a briga pelo controle dos pontos de jogo começou após a morte do contraventor Rogério Andrade, em 2023. Andrade controlava uma vasta rede de pontos de jogo do bicho no Rio de Janeiro, e sua morte abriu uma lacuna de poder que gerou uma verdadeira guerra entre contraventores.

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Guerra pelo controle

Princesa, que era um dos principais aliados de Andrade, teria entrado em conflito com outros grupos que disputavam o espólio. A investigação aponta que ele teria ordenado ataques a pontos de jogo de concorrentes e até mesmo a execução de pessoas ligadas a eles.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) estima que os pontos controlados por Princesa geravam uma receita mensal de R$ 5 milhões. A disputa por esse montante teria motivado uma série de crimes, incluindo homicídios e tentativas de homicídio.

Investigação e prisão

A investigação, conduzida pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas (DCOC) e pelo MPRJ, começou em 2024, após uma série de incidentes violentos em áreas controladas por Princesa. As escutas telefônicas e as delações premiadas foram fundamentais para mapear a organização e a disputa pelos pontos.

Princesa foi condenado a 14 anos de prisão por lavagem de dinheiro e associação para o tráfico. Ele estava foragido desde a condenação, tendo sido capturado na Bolívia após um trabalho de inteligência internacional.

Impacto e repercussão

O caso reacendeu o debate sobre a legalização do jogo do bicho no Brasil, que é uma atividade ilegal, mas amplamente tolerada em algumas regiões. Especialistas apontam que a legalização poderia trazer mais controle e reduzir a violência associada à disputa por pontos.

"Enquanto o jogo do bicho for ilegal, ele vai continuar sendo controlado por organizações criminosas. A legalização, com regras claras, poderia tirar esse poder das mãos de contraventores", afirmou o cientista político Carlos Melo, em entrevista ao jornal O Globo.

O governo do Rio de Janeiro, por sua vez, afirmou que está acompanhando o caso e que vai reforçar o combate ao jogo ilegal. A prisão de Princesa é vista como uma vitória no combate à criminalidade organizada, mas ainda há muito a ser feito para desarticular as redes de contravenção.

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