A advogada Juliana Castro, namorada do empresário Marcelo Magalhães de Almeida, sequestrado e morto em Carapicuíba, na Grande São Paulo, publicou na noite desta quinta-feira (23) uma mensagem de despedida. O corpo de Marcelo foi encontrado na tarde de quinta, dentro de um córrego, após sete dias de buscas policiais. O sepultamento está marcado para as 14h desta sexta-feira (24) no Cemitério Bosque da Paz, em Vargem Grande Paulista.
Despedida emocionada
Na postagem, Juliana afirmou que Marcelo foi o grande amor de sua vida e que será inesquecível. “O Marcelo não foi apenas o homem que eu amava. Ele foi um ser humano extraordinário, de coração generoso, que dedicou sua vida a fazer o bem. Quem teve o privilégio de conhecê-lo de verdade sabe da grandeza de sua alma, da sua bondade e da forma como cuidava das pessoas”, disse.
“Ele me ensinou que eu podia ser amada de verdade. Me mostrou que eu merecia carinho, proteção e cuidado. Ao lado dele, conheci um amor leve, sincero e cheio de companheirismo. Por isso, hoje não se vai apenas o homem que eu escolhi para amar. Vai embora um pedaço do meu coração”, escreveu a jovem.
“Nunca mais serei a mesma Juliana. Uma parte de mim partiu com você, e aprenderei a conviver com essa saudade todos os dias da minha vida”, completou.
O crime
Marcelo Magalhães, de 31 anos, desapareceu na noite de 16 de julho, após encontrar um conhecido em um bar na Estrada da Fazendinha, em Carapicuíba. Ele foi vítima de sequestro seguido de homicídio. A investigação da Polícia Civil aponta que o crime foi premeditado e teve motivação financeira.
A principal linha de investigação é que ele foi atraído para uma emboscada por Lucas Soares de Lima, conhecido como “Quadrado”, amigo de longa data da vítima. Após o sequestro, Marcelo foi mantido em cativeiro e obrigado a realizar transferências bancárias que somaram R$ 8 mil. Os investigadores também encontraram vídeos gravados pelos criminosos. Em um deles, o empresário aparece amordaçado sobre uma cama. Em outro, um dos suspeitos faz referência ao sequestro e ao homicídio.
Quarto suspeito preso
A Polícia Civil prendeu, nesta quinta-feira (23), o quarto suspeito de envolvimento na morte do empresário. Segundo o 1º Distrito Policial de Carapicuíba, vinculado à Seccional de Carapicuíba (Demacro), Lucas Jaimes Oliveira Moura da Silva, conhecido como "Capivara", foi localizado por volta das 17h e teve a prisão temporária decretada. De acordo com a polícia, o mandado havia sido expedido anteriormente pelo Poder Judiciário local no âmbito do inquérito que apura o caso. Após a prisão, o suspeito será interrogado.
Ainda segundo a investigação, os demais envolvidos presos temporariamente – Lucas Soares de Lima, Paulo Sérgio Soares de Almeida e Júlio César Moura Batista – apontaram aos investigadores o local em que o corpo de Marcelo foi jogado. Conforme a Polícia Civil, o ponto indicado corresponde ao local em que o empresário foi assassinado e à entrada da trilha onde o corpo foi ocultado. A investigação também apontou que, na pedra onde Marcelo foi morto, há a inscrição "polícia aqui morre 1533", descrita pela corporação como uma referência à presença de "Estado paralelo e organização ultraviolenta".
Corpo encontrado
Segundo a investigação, Marcelo foi vítima de sequestro e homicídio em uma emboscada planejada por Lucas Soares de Lima, conhecido como “Quadrado”, que era amigo do empresário e é apontado pela polícia como mentor do crime. Lucas teria atraído Marcelo para o local onde ele foi sequestrado, com a participação do irmão, Paulo Sérgio Soares de Almeida, de Júlio César Moura Batista e de Lucas Jaimes Oliveira Moura da Silva. Eles estão presos e devem responder por homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. Antes de matar o empresário, o grupo teria transferido R$ 8 mil das contas bancárias dele.
Imagens do circuito interno do prédio onde Marcelo morava mostram o empresário saindo sozinho de casa na noite de 16 de julho. Ele aparece no elevador e, depois, entrando em seu carro blindado na garagem. De acordo com os investigadores, Marcelo seguiu para um bar, onde encontrou Lucas, e não foi mais visto. Posteriormente, o carro da vítima foi abandonado por um homem, que deixou o local correndo. A polícia também teve acesso a imagens feitas durante o período em que Marcelo esteve em cativeiro. Em um dos vídeos, gravado pelos próprios suspeitos, o empresário aparece amordaçado dentro de um quarto. Segundo a investigação, Lucas vinha extorquindo dinheiro de Marcelo por saber de relacionamentos amorosos mantidos pelo empresário. Ele também teria exigido presentes caros e até um apartamento para não revelar essas informações.
Mãe denunciou os próprios filhos
A mãe de Lucas, Zemira Santos Soares, procurou a Polícia Civil em 17 de julho, após desconfiar do envolvimento dos filhos em um crime grave. Naquele dia, Paulo foi visitar a filha, que estava sob os cuidados da avó, e começou a chorar. Ele teria dito que Lucas havia “arrumado um problemão” e queria “arrastar todo mundo”. Lucas também teria ido ao apartamento da mãe, ameaçado matar os familiares e afirmado que, se ela lhe tivesse emprestado R$ 700, não seria necessário “gastar com caixão”. Sem saber exatamente o que os filhos haviam feito, Zemira procurou uma das noras. Ela foi, então, informada de que Lucas e Paulo teriam roubado, sequestrado e matado uma pessoa importante e de que o caso estava sendo noticiado pelas emissoras de televisão. Diante da informação e das ameaças, a mãe foi até a delegacia e denunciou os próprios filhos, dando à polícia os primeiros elementos que ajudaram a esclarecer o sequestro e a morte de Marcelo Magalhães.



