A agência de comunicação CDN anunciou, nesta quinta-feira (24), que deixou o grupo norte-americano Omnicom e voltou a ter controle 100% brasileiro. A transação, que envolveu a recompra das ações pelos fundadores, marca o fim de uma parceria de dez anos com a holding global de publicidade.
Detalhes da transação
De acordo com informações divulgadas pela empresa, os sócios-fundadores, Carlos Nascimento e Daniela Nascimento, readquiriram a totalidade das ações que estavam em poder da Omnicom. O valor da operação não foi revelado, mas fontes próximas à negociação estimam que o montante gira em torno de R$ 50 milhões.
A CDN foi adquirida pela Omnicom em 2016, quando passou a integrar o portfólio de agências do grupo. Durante esse período, a agência manteve sua operação independente, mas com a estrutura e os recursos da holding.
Motivações e planos futuros
Segundo Carlos Nascimento, a decisão de retomar o controle foi motivada pelo desejo de preservar a cultura e a agilidade da agência. "Queremos voltar a ter autonomia para tomar decisões rápidas e manter o DNA brasileiro que sempre nos caracterizou", afirmou o executivo. Ele acrescentou que a CDN pretende expandir sua atuação no mercado nacional e, futuramente, buscar parcerias com outras agências independentes.
A agência, que tem clientes como Ambev e Itaú, planeja investir em novas áreas, como marketing de influência e inteligência artificial aplicada à comunicação. "Estamos de olho nas tendências e queremos oferecer soluções inovadoras aos nossos clientes", disse Daniela Nascimento.
Impacto no mercado
A saída da CDN do guarda-chuva da Omnicom reflete uma tendência de agências brasileiras buscarem maior independência. Especialistas apontam que o movimento pode fortalecer o mercado de comunicação nacional, com mais agências locais competindo com os grandes grupos internacionais.
Para o professor de marketing da FGV, Ricardo Costa, a volta ao controle brasileiro pode trazer benefícios em termos de flexibilidade e alinhamento com as demandas locais. "Agências independentes costumam ter mais agilidade para se adaptar às mudanças do mercado e às necessidades específicas dos clientes brasileiros", comentou.



