A Polícia Civil do Rio de Janeiro descobriu que um clube recreativo na Zona Norte da capital e uma pousada em Búzios, na Região dos Lagos, eram utilizados pelo Comando Vermelho (CV) para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. A investigação aponta que a facção assumiu informalmente a administração do clube, controlando eventos e movimentações financeiras, e usava a pousada para ocultar recursos em um esquema que movimentou mais de R$ 11 milhões.
Esquema de lavagem de dinheiro
De acordo com a Polícia Civil, os criminosos infiltraram aliados na administração do espaço, que fica na Zona Norte do Rio. Eles controlavam eventos e as finanças do local, enquanto a pousada em Búzios servia como fachada para ocultar os valores obtidos com o tráfico. A operação, que contou com o apoio do Ministério Público, resultou em mandados de busca e apreensão e na quebra de sigilos bancário e fiscal.
As investigações começaram após denúncias anônimas e análise de movimentações suspeitas. Os agentes identificaram que o clube, que deveria ser um espaço de lazer para a comunidade, era na verdade um ponto de lavagem de dinheiro. A pousada, por sua vez, registrava entradas de recursos incompatíveis com o movimento de hóspedes, indicando a inserção de dinheiro ilícito na economia formal.
Movimentação financeira e apreensões
Durante as diligências, os policiais apreenderam documentos, computadores e valores em espécie. A análise preliminar mostra que o esquema movimentou mais de R$ 11 milhões em um período de dois anos. Os recursos eram pulverizados em contas de terceiros e investidos em melhorias no clube e na pousada, além de serem usados para pagar despesas pessoais dos envolvidos.
O delegado responsável pelo caso, que preferiu não ter o nome divulgado, afirmou que a ação é um golpe significativo contra a estrutura financeira do Comando Vermelho. "Essa é uma das maiores operações contra a lavagem de dinheiro do tráfico no estado. O CV usava esses estabelecimentos para dar aparência legal a recursos que financiam o crime organizado", disse.
Impacto na comunidade e próximos passos
A descoberta do esquema gerou comoção entre os moradores da Zona Norte, que frequentavam o clube para atividades recreativas. Muitos relataram que não imaginavam a participação da facção na administração do local. A polícia acredita que o clube era usado também para recrutar jovens para o tráfico, aproveitando eventos sociais para aproximação.
Os investigados responderão por lavagem de dinheiro, associação para o tráfico e organização criminosa. A Justiça determinou o sequestro dos bens e o bloqueio de contas vinculadas aos investigados. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e possíveis ramificações do esquema em outras cidades.



