Um levantamento inédito revela que facções e milícias no Rio de Janeiro controlam ao menos 19 setores da economia, monopolizando a distribuição de produtos e serviços essenciais como alimentos, materiais de construção, medicamentos e bebidas. Esse domínio criminoso impõe um custo de R$ 21,4 bilhões à economia formal do estado, prejudicando a competitividade e a produtividade de empresas legais.
Os setores dominados pelo crime
De acordo com o estudo, os grupos criminosos atuam em áreas como distribuição de gás de cozinha, água mineral, produtos de limpeza, itens de higiene pessoal, além de serviços como transporte alternativo, segurança privada e TV a cabo clandestina. O controle é exercido por meio de extorsão, cobrança de taxas e imposição de fornecedores nas regiões sob seu domínio.
O levantamento aponta que a prática já configura uma "terceira onda" do crime organizado, que ultrapassa o tráfico de drogas e as armas para se infiltrar na economia formal. “Não se trata mais apenas de vender drogas ou roubar cargas. O crime organizado agora age como um verdadeiro monopólio, controlando o fluxo de mercadorias e serviços”, afirmou um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.
Impacto econômico e social
O custo de R$ 21,4 bilhões representa cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado do Rio de Janeiro. Esse valor inclui perdas com arrecadação de impostos, queda na produtividade e encarecimento de produtos para o consumidor final. Empresas que tentam atuar de forma legal nessas áreas enfrentam ameaças e sabotagem, o que inibe novos investimentos e gera desemprego.
As regiões mais afetadas são as zonas Oeste e Norte, onde a presença de milícias é histórica. A Polícia Civil realizou recentemente uma operação contra empresas que distribuíam trigo na Zona Oeste, suspeitas de vínculo com o crime organizado. A ação faz parte de uma estratégia para desarticular a economia paralela.
Resposta das autoridades
O governo do estado e o Ministério Público têm intensificado as investigações e operações para combater esses monopólios. No entanto, os especialistas alertam que a solução exige um esforço coordenado entre segurança pública, economia e políticas sociais. “Enquanto houver territórios sem presença efetiva do Estado, o crime organizado continuará a preencher esse vazio, controlando desde o preço do pão até a segurança dos moradores”, conclui o pesquisador.



