CPI do São Roque Prev ouve testemunhas e PF nega depoimento de Daniel Vorcaro
CPI do São Roque Prev: PF nega depoimento de Daniel Vorcaro

A Polícia Federal negou a possibilidade de depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do São Roque Prev, em São Roque (SP). A informação foi confirmada nesta terça-feira (9) durante a sétima reunião dos vereadores que investigam o caso. O instituto de previdência municipal investiu R$ 90 milhões no banco, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, resultando na prisão de Vorcaro.

Negativa da PF e nova tentativa no STF

De acordo com os vereadores que compõem a CPI, a negativa da PF foi comunicada por e-mail enviado ao Legislativo. Agora, os parlamentares tentarão ouvir o banqueiro por meio do Supremo Tribunal Federal (STF), com participação remota. Vorcaro está preso desde a liquidação do banco.

Depoimento de conselheira gera dúvidas

Nesta terça-feira, a CPI ouviu Lizete de Fátima, membra do Conselho Deliberativo do São Roque Prev. Durante o depoimento, ela afirmou não se recordar de ter assinado duas atas do instituto: uma que autorizava os investimentos e outra que tratava dos riscos. As atas foram apresentadas a ela na oitiva, e Lizete disse lembrar apenas da que dava aval para os investimentos, mencionando que não havia riscos. Rosana Teixeira, também integrante do instituto à época, deveria prestar depoimento, mas ainda não foi ouvida. Os trabalhos foram retomados após uma semana de pausa e devem continuar por pelo menos mais duas semanas.

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Decisão baseada em recomendação de consultoria

Em oitiva anterior, uma ex-conselheira do instituto afirmou que a decisão de investir R$ 93 milhões no Banco Master foi baseada na recomendação de uma empresa de consultoria, que apontou a possibilidade de lucros maiores. Solange Siqueira Duarte Silva, que fazia parte do conselho em 2024, ano dos investimentos, disse que a consultoria apresentou um comparativo mostrando que o Banco Master poderia render mais, justificando as sete aplicações feitas em seis meses.

O que a CPI investiga

A CPI foi aberta após a crise do Banco Master, que culminou na liquidação pelo Banco Central e na prisão de Daniel Vorcaro. Com a liquidação, todas as operações foram interrompidas e um liquidante foi nomeado. A maioria dos clientes recebeu ressarcimento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro do limite legal. A investigação foca na aplicação de recursos do fundo de previdência dos servidores municipais, buscando entender por que foram feitos investimentos de alto risco em instituições já problemáticas.

Principais pontos investigados

  • Investimentos suspeitos: compra de R$ 93 milhões em Letras Financeiras do Banco Master;
  • Possível conflito de interesses: atuação da empresa de consultoria Crédito & Mercado, que realizava pareceres técnicos e era responsável por implantar normas de boa gestão;
  • Suspeita de adulteração de ata: existência de duas versões de uma ata do Comitê de Investimentos, com conclusões opostas sobre a avaliação de risco do Banco Master;
  • Movimentações atípicas: operações de aplicação e resgate de milhões no mesmo dia, com movimentação bruta de R$ 446 milhões em agosto de 2024.

A CPI segue com os trabalhos para esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos.

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