Coronel da PM é preso por importunação sexual em ônibus na BR-040
Coronel da PM preso por importunação sexual em ônibus

Um coronel veterano da Polícia Militar, de 59 anos, foi preso em flagrante por importunação sexual dentro de um ônibus de viagem na BR-040, em Juiz de Fora, na madrugada de terça-feira (4). O suspeito é acusado de assediar passageiras ao longo do trajeto de aproximadamente 260 km entre Belo Horizonte e Juiz de Fora. A prisão ocorreu após denúncias das vítimas, que relataram toques e carícias sem consentimento durante a viagem.

Trajeto de assédio

De acordo com as vítimas, o comportamento do suspeito começou ainda na Rodoviária de Belo Horizonte, por volta das 23h15, quando o ônibus partiu com destino ao Rio de Janeiro. Durante o percurso, o coronel teria se aproximado de várias passageiras, aproveitando-se da escuridão e do movimento do veículo para cometer os atos.

Em Juiz de Fora, durante uma parada, o suspeito tentou fugir aproveitando a abertura da porta do ônibus, mas foi contido por um funcionário de um posto de combustíveis até a chegada da Polícia Militar.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Relatos das vítimas

À TV Integração, a estudante Laura Garcia contou que acredita ter sido a primeira abordada. “Ele fingiu que ia dormir, mas toda hora se reajustava na cadeira, chegando cada vez mais perto, encostando no meu braço e na minha perna, e eu me encolhendo cada vez mais no ônibus”, disse ela, que precisou deixar a poltrona.

Outra vítima, a estudante Ana Clara Saraiva, relatou: “Ele começou a se movimentar, se aconchegar e ia arredando cada vez mais perto. Me senti desconfortável e com medo e fui para trás. Vi assentos livres e sai”.

A biomédica Natália Castro, que dormia quando foi tocada pelo vão das cadeiras, descreveu o momento: “Eu estava dormindo quando senti alguém me tocando. Ele me procurava com o pé e me acariciava nos braços com os pés. Depois começou vir a mão, vindo na lateral para pegar na minha coxa. Quando eu vi que era mão de um homem, eu fiquei muito assustada e comecei a chorar muito. Gritei e perguntei o que era aquilo. Ele pediu desculpas, mas eu falei que ele estava me assediando”.

Reação da empresa e da PM

A empresa Util, responsável pelo ônibus, informou em nota que o motorista acionou a Central de Operações assim que tomou conhecimento da situação e deu início ao protocolo relativo ao tema. Um representante foi acionado para acompanhar o caso e prestar assistência às envolvidas. Os demais passageiros seguiram viagem em outro veículo disponibilizado pela empresa.

Em nota, a Polícia Militar informou que vai acompanhar o caso, mas que, por se tratar de crime comum e não militar, a investigação ficará a cargo da Polícia Civil.

Deboche e investigação

Ao todo, quatro vítimas, de 21, 24, 29 e 34 anos, seriam ouvidas na delegacia de Juiz de Fora, assim como o motorista do coletivo. De acordo com as passageiras, o homem debochou da situação ao ser confrontado e afirmou que tinha ciência da própria “condição”.

Até a publicação desta reportagem, o g1 não conseguiu contato com a defesa do suspeito. Até o fim da tarde de terça, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) ainda não tinha confirmação se o coronel tinha dado entrada em alguma unidade prisional.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar