Cerca rompida na ponte onde jovem morreu em rope jump em Limeira
Cerca rompida em ponte de Limeira após tragédia em rope jump

A cerca instalada para impedir o acesso à ponte onde a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu após ser lançada sem cordas em um salto de rope jump foi rompida. A estrutura, conhecida como Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), segue sem proteção efetiva.

Prefeitura aciona União após rompimento

Em nota, a Prefeitura de Limeira informou que vai comunicar o rompimento à Secretaria do Patrimônio da União (SPU), do governo federal, responsável pela ponte. O g1 entrou em contato com a SPU, mas até a última atualização não houve manifestação. Segundo o município, a ponte está em área de propriedade particular, mas a responsabilidade é da União. A prefeitura não conseguiu confirmar quem causou o rompimento da cerca.

Medidas emergenciais e histórico do local

Na última quarta-feira (17), retroescavadeiras abriram valas profundas nas duas extremidades de acesso à ponte para impedir fisicamente a entrada de veículos e novos grupos. A medida é emergencial até que o governo federal defina uma ação definitiva. Desativada para o tráfego de veículos há 30 anos, a estrutura tem cerca de 40 metros de altura e é conhecida por receber atividades de esportes de aventura, como ciclismo e salto em queda livre. O local também tem histórico de acidentes.

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A tragédia e as imagens do salto

Imagens gravadas por um novo ângulo mostram o momento em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, é lançada de uma altura de cerca de 40 metros da Ponte do Esqueleto, sem o uso de cordas de segurança durante a prática de rope jump. A jovem morreu após a queda. Poucos segundos após ser arremessada, a reação de quem acompanhava o salto muda. Nas imagens, é possível ver que algumas pessoas caminhavam mais agitadas enquanto alguém diz: "Gente, a corda!". Outra voz aparece na gravação enquanto as imagens flagraram o movimento de pessoas caminhando com mais agitação pela ponte enquanto um homem diz: "Não, não, para. Não, gente, para. Como assim, a corda arrebentou?".

O que é rope jump

O rope jump é uma modalidade que usa cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. No bungee jump, modalidade mais conhecida, a corda elástica faz a pessoa cair e quicar para cima e para baixo repetidas vezes.

Presos e investigação

Três homens foram presos em flagrante logo após a morte da jovem, no sábado (13). Eles são os instrutores que aparecem em um vídeo lançando Maria Eduarda da ponte: Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos; Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos; e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos. Os três tiveram a prisão convertida em preventiva e foram transferidos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Piracicaba (SP) para o CDP II de Guarulhos (SP) para terem a integridade física resguardada, segundo o advogado Rafael Gomes dos Santos, que representa dois dos instrutores. Na semana passada, a Justiça negou pedido de habeas corpus.

Novas prisões

Na manhã de sábado (20), a polícia prendeu mais três pessoas de forma temporária. Os três integravam a equipe responsável pela organização e execução da atividade: Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, no Rio de Janeiro (RJ), responsável pela empresa informal que realizava os saltos; João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, de 35 anos, em Limeira; e Gabriel Barros Martins, de 30 anos, em Indaiatuba (SP).

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“No curso das apurações, foram reunidos elementos que indicam possível supressão de provas relevantes para a investigação, especialmente relacionadas ao desaparecimento do equipamento de captação de imagens utilizado pela vítima durante o salto”, explica a delegada Andréa Levy. Os três são suspeitos de apagar conteúdos digitais relevantes ao esclarecimento do caso e de desaparecer com a câmera que gravava o salto e que estava presa em Maria Eduarda, informou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) em nota. A câmera é considerada essencial pelos investigadores para a reconstrução do caso. O tio de um dos presos informou à EPTV, afiliada da TV Globo, que o sobrinho atuava na parte de baixo do salto de rope jump, auxiliando na saída das pessoas que saltavam. A prisão do trio tem duração de cinco dias. A SSP ainda afirmou que a investigação apura, em tese, a prática de crimes dolosos contra a vida, na modalidade de dolo eventual, além de possível fraude processual.

O que dizem as defesas

A defesa de Eveliny disse que ela tem colaborado desde o início com as investigações e os fatos estão sendo apurados. Já a defesa de um dos homens presos neste sábado informou que eles não tiveram participação ativa no salto. "Eles não tiveram função típica ou ativa no salto. Eles só participaram no momento em que terminava aquele salto. Então, um puxava a corda de volta para cima e outro apenas tirava a corda do participante do salto. Os dois prestaram socorro, ajudaram a desatolar carro de bombeiro e polícia", diz o advogado Vitor Aurélio. O advogado ainda informou que um deles viu a câmera na vítima logo após a queda. "Ele viu a câmera, inclusive, é de interesse dele que apareça a câmera aqui, porque ele prestou socorro e participou de nada", conta.