Uma cearense de 37 anos que se passava por criança de 12 anos para enganar uma família e ser adotada em Santa Catarina tem um histórico de alegações de abusos e rituais de magia negra. Em 2010, ela procurou a Polícia Civil do Ceará para denunciar os próprios pais por supostos abusos sexuais e por colocarem agulhas e chaves em seu corpo durante rituais.
Denúncia em 2010
Na época, Amanda Maria Souza de Oliveira chegou à Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza acompanhada por um adulto. Segundo a defensora pública Yamara Alves Lavor Viana, que atuava como delegada adjunta, Amanda afirmava ter 12 anos e sofrer lesões causadas pelos pais, além de ser submetida a rituais de magia negra. Ela também alegava que o pai a obrigava a ter relações com outros homens.
Um exame de raio-X confirmou a presença de agulhas e uma chave no corpo dela. A polícia instaurou inquérito e ouviu a vizinhança, mas as testemunhas negaram as acusações, descrevendo os pais como cristãos e pacatos.
Versão dos pais
Os pais de Amanda foram ouvidos e negaram que ela fosse adolescente. Apresentaram uma certidão de nascimento que indicava que ela tinha 22 anos em 2010. Amanda rebateu, dizendo que o documento era falso e que os pais o teriam falsificado para que ela fizesse programas sexuais. Os pais também trouxeram um laudo médico apontando problemas psiquiátricos.
Internações no Ceará
A Polícia Civil recebeu informações de que Amanda passou pelo Hospital Mental de Messejana e pelo antigo Hospital Mira y López, ambos em Fortaleza, além de tratamento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Horizonte, na Região Metropolitana.
Em setembro de 2023, ela deu entrada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, fingindo ser adolescente. Médicos encontraram agulhas em seu corpo durante um raio-X. Ela vivia em uma casa de acolhimento e queixava-se de dores abdominais. Não se sabe a origem dos objetos nem se eles ainda estão em seu corpo.
Prisão e investigação
Amanda é investigada por estelionato e falsa identidade pela Polícia Civil de Santa Catarina. Após audiência de custódia, teve a prisão convertida em preventiva. Segundo a ata, ela se aproximou da família por intermédio de um pastor, inicialmente dizendo ter 18 anos e buscando emprego. Com o tempo, passou a relatar problemas de saúde e dificuldades financeiras, sendo acolhida. Depois, afirmou ter 11 anos e ser vítima de abusos. Ficou com a família por 14 meses.
O advogado Rafael Luiz Siewert, defensor dativo, confirmou que Amanda passará por exames de sanidade mental.



