Ceará reduz homicídios em 40% no 1º semestre de 2026 e nenhuma cidade aparece entre as mais violentas
Ceará: homicídios caem 40% em 2026; nenhuma cidade no top 10 violentas

O Ceará registrou uma redução de 40,79% no número de mortes violentas intencionais no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme dados apresentados pelo Governo do Estado nesta segunda-feira (27). Foram 846 mortes entre janeiro e junho de 2026, contra 1.429 em 2025. Nenhuma cidade cearense figurou entre as 10 mais violentas do Brasil entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, uma mudança drástica em relação ao ano anterior, quando Maranguape liderava o ranking pelo segundo ano consecutivo.

Os números foram divulgados durante reunião de trabalho com a cúpula da segurança pública no Palácio da Abolição, com a presença do governador Elmano de Freitas (PT). As informações são coletadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e incluem homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes cometidas por policiais.

Queda nas cidades mais violentas

O ranking das cidades mais violentas do Brasil, que considera a taxa de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) por 100 mil habitantes, mostra que as três cidades cearenses que estavam no topo em 2025 — Maranguape (1º), Maracanaú (3º) e Caucaia (7º) — tiveram reduções expressivas. Em 2026, Caucaia é a cidade cearense com maior taxa, ocupando a 40ª posição, com 51 mortes e taxa de 13,57. Maracanaú aparece em 264º, com 7 mortes (taxa 2,80), e Maranguape em 327º, com apenas 1 homicídio (taxa 0,92) registrado em 28 de janeiro.

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Maranguape, que liderou o ranking nacional em 2024 e 2025 com taxa de 97,30 e 106 mortes em 2025, viu seu número de homicídios despencar para 1 no primeiro semestre de 2026. A cidade, que chegou a ser considerada a mais violenta do país por dois anos seguidos, agora figura entre as menos violentas do grupo analisado.

Fatores apontados pelo governo

O governador Elmano de Freitas atribuiu a melhora aos resultados do trabalho integrado das forças de segurança com o poder Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública, além de novas legislações. “Nós hoje temos 5 mil homens e mulheres presos, faccionados na sua ampla maioria, que estavam nas ruas e agora estão presos. Nós temos mais de R$ 3 bilhões de patrimônio que estavam sendo gerenciados pelo crime organizado e que não estão mais nas mãos do crime organizado”, afirmou. O governador também destacou investimentos em tecnologia, materiais e na Perícia Forense como fatores que seguirão auxiliando no combate ao crime.

O secretário da Segurança Pública, Roberto Sá, reforçou a necessidade de trabalho permanente para estabilizar e ampliar a redução observada. Ele destacou que as ações focadas nas cidades de Maranguape, Maracanaú e Caucaia combinaram tecnologia e inteligência para orientar o policiamento ostensivo e as investigações. “A gente deu direção para o policiamento ostensivo estar exatamente onde as manchas criminais nos sinalizam onde o crime acontece, associado às informações de inteligência. A tecnologia nos dá suporte, e a gente tem feito muitas apreensões e prisões com base no uso tecnológico”, explicou. A criação de uma nova delegacia de homicídios, ampliação do efetivo da Polícia Militar e maior foco nas perícias também foram medidas adotadas.

Queda nos roubos e contexto nacional

Outro dado positivo apresentado foi a redução de 62,2% no número de roubos no primeiro semestre de 2026, com 1.046 ocorrências contra 2.767 no mesmo período de 2025. Esses crimes incluem roubos de veículos, cargas e a instituições financeiras. Os dados contrastam com o cenário nacional divulgado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública em 23 de julho, que apontou recorde de feminicídios no Brasil, embora a taxa de assassinatos tenha sido a menor desde 2012. No Ceará, o governo busca demonstrar que a situação de 2026 reflete uma mudança de patamar na segurança pública.

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