Ativista João Planta desaparece há 8 meses na Chapada dos Veadeiros
Ativista João Planta desaparece há 8 meses na Chapada

João Paulo Vaz da Silva, de 33 anos, conhecido como 'João Planta', desapareceu na Chapada dos Veadeiros em 8 de dezembro de 2024. Oito meses depois, a família ainda busca respostas e pressiona as autoridades por avanços nas investigações. A mãe dele, Marli Albino da Silva Carneiro, fez um apelo público: 'Eu não estou suportando mais'.

Desaparecimento e investigação

Natural de Porangatu, no norte goiano, João Paulo era extrativista ambiental e defensor da conservação do Cerrado. Morava em Alto Paraíso de Goiás desde 2015 e era reconhecido como um profundo conhecedor das espécies nativas, atuando em hortas, hospedagens e projetos ligados à natureza e sustentabilidade. De acordo com o boletim de ocorrência registrado em 16 de dezembro por uma amiga, João havia chegado da rua carregando plantas, deixou o celular carregando em casa e saiu para ajudar algumas pessoas que chamaram por ele no portão — não sendo mais visto desde então.

A Polícia Civil informou ao g1 que não há novidades no caso e que as investigações continuam, aguardando respostas a pedidos judiciais já realizados. O Ministério Público, por sua vez, disse que, além de solicitar informações sobre o inquérito, manifestou-se judicialmente para que ofícios fossem expedidos a instituições bancárias para verificar eventuais movimentações financeiras. A defesa de João Paulo cita que ele foi vítima de uma tentativa de homicídio em 2024 e que 'todas as circunstâncias relacionadas à sua história precisam ser apuradas com a máxima seriedade'.

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Apelo da mãe

Marli Albino conta que, na última vez em que esteve em Alto Paraíso, ficou doente e precisou ser internada. Ela revela que sofre de depressão e ansiedade devido à falta de respostas. 'Eu quero justiça, porque eu não estou aguentando esperar. E eu quero pedir a essa Polícia Civil para ajudar nesse caso, investigar, dar mais atenção, porque eu não estou suportando mais. Me deu depressão, ansiedade', desabafou. Apesar do sofrimento, a mãe ainda mantém esperança: 'Eu tenho um pouquinho de esperança de que possa achá-lo vivo, mas Deus sabe o que faz'. Ela agradeceu às pessoas que apoiam o filho.

Mobilização por mudança de instância

Familiares e amigos estão colhendo assinaturas para protocolar um pedido de transferência da investigação para outra instância, possivelmente o Congresso Nacional. Uma amiga do ativista, que preferiu não se identificar, afirmou: 'A gente levar para outra instância, porque a gente já está vendo que em Alto Paraíso não vai ter solução'. O estado de Goiás registra mais de 3 mil desaparecimentos por ano, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O caso de João Paulo segue sem respostas, enquanto a família clama por justiça e visibilidade.

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