A Polícia Federal (PF) mapeou 74 registros de ligações entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-sócio da empresa Master, que está no centro de uma investigação. A informação consta nos autos do inquérito e foi confirmada por fontes ligadas ao caso. Os contatos foram identificados a partir de quebras de sigilo telefônico autorizadas pela Justiça.
Registros telefônicos
Segundo a PF, as ligações ocorreram em um período que ainda está sendo detalhado pelos investigadores. Os registros incluem chamadas de voz e possivelmente mensagens, mas o conteúdo ainda não foi integralmente analisado. O número de contatos chamou a atenção por ser considerado alto, especialmente porque o ex-sócio da Master é apontado como um dos principais alvos das apurações.
Os investigadores agora pretendem verificar se as conversas tinham relação com assuntos de interesse da empresa ou se foram de cunho pessoal. Também será avaliado se os telefonemas ocorreram em datas relevantes para o andamento das operações investigadas.
O que diz a defesa
Procurado, o senador Jaques Wagner não se manifestou diretamente até a publicação desta reportagem. Sua assessoria, no entanto, informou que o parlamentar mantém uma agenda pública de reuniões e que não teme a investigação. A nota afirma que "todas as conversas foram republicanas" e que o senador está à disposição das autoridades.
Já a defesa do ex-sócio da Master não foi localizada para comentar o assunto. O inquérito tramita em segredo de justiça, e os detalhes sobre as ligações foram obtidos com fontes que tiveram acesso aos autos.
Contexto da investigação
A Master é alvo de operações anteriores que apuraram supostos desvios financeiros e lavagem de dinheiro. O ex-sócio, que não teve o nome divulgado porque o processo é sigiloso, já foi conduzido para depoimento em fases anteriores. A polícia suspeita que a empresa tenha servido de fachada para movimentações ilegais.
Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e ex-ministro, nunca foi formalmente acusado. A revelação das ligações, contudo, aumenta a pressão sobre o parlamentar e pode levar a novos pedidos de informações por parte do Ministério Público.
Repercussão política
O caso ganhou repercussão no meio político porque Jaques Wagner é uma das principais lideranças do PT no Nordeste. A notícia das 74 ligações foi recebida com cautela por aliados, que esperam pela conclusão das apurações. A oposição já anunciou que vai cobrar explicações na CPI que investiga o caso Master no Senado, caso a instalação seja aprovada.
Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela reportagem afirmam que apenas o registro de chamadas não configura crime, mas pode servir como indício para aprofundar as investigações. Eles ressaltam que é preciso comprovar o conteúdo das conversas ou a intenção do contato.
Histórico de relacionamento
Wagner e o ex-sócio da Master se conhecem há anos. A relação já havia sido citada em delações anteriores, mas sem detalhes. Agora, com os dados telefônicos, a PF tenta estabelecer com precisão a frequência e a natureza dos contatos, inclusive se houve encontros presenciais.
Os investigadores também analisam se as ligações coincidem com reuniões de autoridades da Bahia ou votações no Senado, já que Wagner exerceu mandato de senador durante todo o período investigado.
Próximos passos
Com o cruzamento dos dados, a PF deve produzir um relatório sobre as ligações e anexá-lo ao inquérito. A expectativa é que o material seja enviado à Procuradoria-Geral da República, que decide se há elementos para abertura de inquérito específico contra o senador. Por ter foro privilegiado, qualquer investigação sobre Jaques Wagner precisa ser autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
Até o momento, não há pedido de afastamento do cargo. O senador segue com o mandato normalmente.



