Richarlison constrói mansão em sítio com pedra natural no ES
Richarlison constrói mansão em sítio com pedra no ES

A propriedade fica em um sítio em Nova Venécia, no Espírito Santo, e ganhou repercussão nas redes sociais depois que o projeto começou a circular. Segundo informações divulgadas pelo Extra, o local terá um lago, um campo de futebol society e uma casa de dois pavimentos. O elemento que mais chama a atenção é a incorporação de uma grande pedra natural ao terreno, o que torna a obra um exemplo para discutir os cuidados técnicos necessários em construções sobre áreas rochosas.

Construção sobre rocha exige estudo do subsolo

Rennan Leal, engenheiro civil com mais de 15 anos de atuação e especialista em patologias civis, afirma que a presença de uma rocha aparente não pode ser interpretada como um fator isolado. O que está visível na superfície pode ser apenas uma pequena parte de uma formação muito maior. “Uma pedra aparente pode ser apenas uma parte do que existe abaixo da superfície. Por isso, não se deve definir a fundação somente a partir daquilo que é visível. É necessário conhecer o terreno, a continuidade da rocha, suas características e a eventual presença de solo entre os blocos rochosos”, explica.

Investigação geotécnica orienta a fundação

O primeiro passo antes de iniciar qualquer obra em um terreno com rocha é fazer uma investigação geotécnica compatível com as condições da área. A partir dos resultados, a equipe pode indicar métodos como sondagens, que ajudam a caracterizar o solo e a rocha, verificar descontinuidades, medir a profundidade da camada rochosa e identificar a presença de água no subsolo.

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Rennan Leal ressalta que o cumprimento das normas técnicas brasileiras da ABNT é indispensável em todas as fases, do projeto à execução. Além da investigação geotécnica, é preciso considerar análise do solo e da rocha, nível do lençol freático, definição da fundação, contenções, drenagem, impermeabilização e compatibilização entre os projetos.

“Não existe uma fundação que seja automaticamente a melhor para todo terreno rochoso. A solução precisa ser definida pelos profissionais responsáveis com base nos estudos, no projeto estrutural e nas cargas da construção”, ressalta.

Topografia e estabilidade em terrenos inclinados

Por se tratar de uma área com presença de pedra e possivelmente desníveis, o levantamento topográfico é indispensável. Ele documenta as dimensões, os desníveis e as características físicas do terreno, fornecendo dados para a implantação da casa, acessos, drenagem e demais estruturas.

Em casos de encostas, cortes ou mudanças significativas no relevo, estudos específicos de estabilidade feitos por profissionais habilitados são necessários. A falta desses cuidados pode resultar em fissuras, deformações, infiltrações e outros sinais de perda de desempenho da edificação.

Água da chuva exige projeto de drenagem

A presença de lago, montanha e grandes superfícies rochosas exige atenção especial ao caminho da água. Ao contrário de solos mais permeáveis, a rocha faz com que a água da chuva escoe pela superfície e se concentre em determinados pontos, o que pode comprometer a construção se não houver drenagem, caimentos, impermeabilização e condução adequada das águas.

“Em muitos casos, a manifestação patológica aparece dentro da edificação, mas sua origem está do lado de fora. Uma infiltração pode estar relacionada à drenagem do terreno, à impermeabilização, aos encontros entre materiais ou a detalhes executivos que não funcionaram como previsto”, diz Leal.

Os problemas mais comuns nesses cenários incluem umidade, manchas, mofo, eflorescência, deterioração de revestimentos e corrosão de componentes metálicos.

Integração entre arquitetura, estrutura e instalações

Um projeto que busca integrar uma pedra natural à arquitetura precisa ser planejado de forma integrada. Estrutura, fundação, impermeabilização, drenagem e instalações devem ser desenvolvidas em conjunto para que o resultado seja durável. Também é necessário considerar que materiais distintos reagem de formas diferentes a variações de temperatura, umidade e movimentações naturais.

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“Integrar a construção à paisagem pode produzir um resultado arquitetônico muito interessante. Tecnicamente, porém, os encontros entre a edificação e os elementos naturais precisam ser detalhados. São regiões que merecem atenção especial para evitar entrada de água, fissuras e problemas de durabilidade”, pontua.

Manutenção preventiva após a entrega da obra

O trabalho não termina com a entrega da casa. A qualidade da execução, o controle dos materiais, a fiscalização técnica e o registro das etapas da obra são fundamentais. Depois de pronta, a residência precisa de um plano de uso, inspeção e manutenção, com sistemas de drenagem desobstruídos, impermeabilizações monitoradas e fissuras ou sinais de umidade avaliados precocemente.

“Quanto mais cedo uma manifestação é investigada, maior é a possibilidade de identificar sua origem e evitar que o problema evolua. A manutenção não deve começar somente quando o dano se torna grave”, orienta.

Obra de Richarlison não foi avaliada tecnicamente

Rennan Leal afirma que as orientações são gerais e preventivas. Sem acesso às sondagens, projetos geotécnico e estrutural, memoriais, canteiro de obras e vistoria no local, não é possível avaliar tecnicamente a construção de Richarlison nem afirmar qual solução foi adotada.

A obra do jogador serve, portanto, como ponto de partida para lembrar que qualquer construção em terreno rochoso exige conhecimento do local, contratação de profissionais habilitados e transformação das condições naturais em dados técnicos para o projeto.