O Brasil atingiu a menor taxa de assassinatos em 14 anos, com 40.775 vítimas registradas em 2025, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Apesar da queda geral, a desigualdade racial persiste: 8 em cada 10 mortos são negros. Na contramão dos dados positivos, o levantamento mapeou um aumento de 5,4% nas mortes por intervenção policial no mesmo período.
Queda histórica nos assassinatos
O número de 40.775 homicídios em 2025 representa uma redução significativa em comparação com anos anteriores, sendo o menor patamar desde 2011. A taxa de assassinatos por 100 mil habitantes caiu para 19,2, uma melhora em relação aos 21,3 registrados em 2024. Especialistas atribuem a queda a políticas de segurança pública e ações integradas entre estados e União.
Desigualdade racial persiste
Apesar da redução geral, o Anuário destaca que 80% das vítimas de assassinato em 2025 eram negras (pretas ou pardas). Isso significa que, proporcionalmente, um negro tem 2,5 vezes mais chances de ser morto do que um branco no Brasil. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo levantamento, "a desigualdade racial na violência letal continua sendo um dos maiores desafios do país".
Aumento de mortes por intervenção policial
Em contraste com a queda nos homicídios, as mortes decorrentes de intervenções policiais cresceram 5,4% em 2025, totalizando 6.427 casos. O aumento foi puxado principalmente por estados do Nordeste e Norte. A maioria dessas vítimas também é negra: 9 em cada 10 mortos em ações policiais são negros, evidenciando o viés racial na atuação das forças de segurança.
Diferenças regionais
As regiões Nordeste e Norte continuam a apresentar as maiores taxas de violência, com destaque para a Bahia, que lidera o ranking de assassinatos pelo terceiro ano consecutivo, e o Pará, com alta incidência de mortes por intervenção policial. Já o Sudeste e o Sul registraram as menores taxas, com São Paulo e Santa Catarina mantendo os índices mais baixos da série histórica.
Impacto das políticas de segurança
O Ministério da Justiça e Segurança Pública comemorou os números, mas reconheceu que "ainda há muito a avançar na redução das desigualdades raciais e no controle da letalidade policial". Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional Brasil, criticaram o aumento das mortes por intervenção policial e pediram maior fiscalização e treinamento das polícias.



