Apreensões de canetas emagrecedoras sobem 118% no Galeão, diz PF
Apreensões de canetas emagrecedoras sobem 118% no Galeão

O Aeroporto Internacional do Galeão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, tornou-se um ponto de atenção no combate ao contrabando de medicamentos. De acordo com a Polícia Federal, as apreensões de ampolas de canetas emagrecedoras no terminal cresceram 118% em 2026 na comparação com o ano passado. O total de ampolas retidas passou de 794 para 1.734, e as prisões relacionadas a esse tipo de carga aumentaram de seis para dezoito.

Em 2025, o Galeão registrou seis operações de combate ao contrabando de canetas emagrecedoras, com saldo de 794 ampolas apreendidas e seis pessoas detidas. Já em 2026, os números acumulados até o momento mostram uma escalada: 1.734 ampolas, das quais 1.665 eram de canetas emagrecedoras e 69 eram destinadas a anabolizantes. O número de presos triplicou, alcançando dezoito detidos.

  • 2025: 794 ampolas; 6 operações; 6 presos.
  • 2026: 1.734 ampolas (1.665 canetas emagrecedoras + 69 anabolizantes); 18 presos.

Os dados do Galeão integram um esforço mais amplo da Polícia Federal para coibir a entrada de medicamentos ilegais no Brasil. A alta de 118% representa um crescimento superior ao dobro do volume apreendido no ano anterior, e o triplo de pessoas detidas. Essa evolução é atribuída tanto ao aumento do contrabando quanto à intensificação das ações de fiscalização.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Alta nacional das apreensões

O aumento observado no Galeão reflete um cenário nacional. Um levantamento da Polícia Federal, divulgado na semana passada, apontou uma alta de 172% nas apreensões de produtos emagrecedores em todo o Brasil. Até junho, foram apreendidos 165.589 itens, entre canetas, ampolas e frascos, segundo os dados da PF.

O levantamento revela ainda que 90% do material apreendido vem de Foz do Iguaçu, no Paraná. A cidade, localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, é a principal rota de entrada de produtos ilegais no país. Depois da apreensão, o material é entregue à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dá a destinação final aos produtos e apoia as investigações.

Impacto para a saúde pública

Os dados de apreensão são essenciais para a Anvisa mapear as rotas do contrabando e ajustar as políticas de fiscalização. A agência também atua na análise dos produtos para identificar substâncias proibidas e avaliar riscos. Muitos desses produtos, sem registro sanitário, podem conter compostos perigosos e causar efeitos colaterais graves. A apreensão e a destruição são medidas preventivas adotadas pelas autoridades.

As canetas emagrecedoras são procuradas por pessoas que desejam perder peso rapidamente, e a demanda alimenta um mercado ilegal lucrativo. O crescimento das apreensões no Galeão e no restante do país indica que as autoridades estão intensificando a repressão, mas também que o contrabando segue ativo.

Servidor da Anvisa preso no Galeão

O Aeroporto do Galeão também foi palco de um caso que chamou atenção para o desvio interno em órgãos públicos. Em dezembro do ano passado, José Vieira de Souza Filho, servidor da Anvisa, foi preso em flagrante ao chegar ao terminal com uma carga de canetas emagrecedoras roubadas. Segundo a Polícia Federal, ele se aproveitou do cargo e do acesso facilitado às chaves do depósito da agência para cometer o desvio.

Na ocasião, a Anvisa informou que apoiou a ação da Polícia Federal contra o contrabando e o desvio de canetas que resultou na prisão do servidor. A agência também revelou que as investigações tiveram início a partir de uma denúncia feita pela própria Anvisa à Polícia Federal, ainda no primeiro semestre deste ano. Após a prisão, o servidor foi afastado e passou a responder a um processo administrativo disciplinar (PAD), além do processo judicial.

O caso do servidor expõe uma vulnerabilidade no sistema de vigilância sanitária: a possibilidade de que pessoas com acesso legítimo a depósitos de medicamentos desviem produtos para o mercado ilegal. A PF, em parceria com a Anvisa, atua para identificar esses esquemas e responsabilizar os envolvidos.

A Anvisa reforçou que mantém canal de denúncias para que irregularidades sejam comunicadas às autoridades. A participação da agência foi decisiva para a prisão do servidor, segundo o relato oficial.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

A combinação de fiscalização nas fronteiras e controle interno é essencial para combater o tráfico de produtos para emagrecimento. A Polícia Federal segue monitorando o movimento no Galeão e em outros aeroportos do país, enquanto a Anvisa trabalha na análise e destruição dos materiais apreendidos. A expectativa é que novos balanços, com números do segundo semestre, mostrem se a tendência de alta será mantida.