Violência psicológica contra mulheres cresce 1.300% no RJ em 10 anos
Violência psicológica cresce 1.300% no RJ em 10 anos

Os números mais recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP) acendem um alerta que não pode mais ser ignorado. Em dez anos, os registros de violência psicológica contra mulheres no Rio de Janeiro cresceram mais de 1.300%. Apenas em 2025, foram contabilizadas 5.970 vítimas de violência psicológica e moral praticada no ambiente virtual, o equivalente a 16 mulheres atingidas por dia.

Crescimento das denúncias e o papel das redes sociais

É natural que parte desse crescimento seja consequência de um maior número de denúncias, impulsionado pelo avanço da legislação, pela ampliação da rede de proteção e pelo maior conhecimento das vítimas sobre seus direitos. No entanto, atribuir esse aumento apenas à maior conscientização seria um erro. Os dados também revelam que a violência de gênero encontrou nas redes sociais um ambiente fértil para se reinventar.

A internet ampliou o alcance dos agressores. Ameaças, humilhações públicas, perseguição virtual, divulgação de conteúdo íntimo sem consentimento, perfis falsos para difamação e o monitoramento constante da vítima passaram a integrar a rotina de muitas mulheres. O anonimato, a rapidez da disseminação das informações e a falsa sensação de impunidade tornam esses crimes ainda mais graves.

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Legislação e desafios na identificação

Do ponto de vista jurídico, a violência psicológica é reconhecida pela Lei Maria da Penha e pode ensejar medidas protetivas, responsabilização criminal e reparação civil. Além disso, condutas como perseguição (stalking), invasão de dispositivos eletrônicos e descumprimento de medidas protetivas por meios digitais também encontram previsão na legislação brasileira.

O grande desafio, porém, continua sendo a identificação precoce desse tipo de violência. Diferentemente da agressão física, a violência psicológica deixa marcas invisíveis, o que faz com que muitas vítimas demorem a perceber que estão diante de um crime. É comum que comportamentos abusivos sejam naturalizados como demonstrações de ciúmes, controle ou simples conflitos de relacionamento.

Orientações para vítimas e ações necessárias

Por isso, é fundamental que a vítima preserve provas, como mensagens, e-mails, registros de ligações, capturas e gravações de tela, além de procurar imediatamente uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher ou outro órgão de proteção para registrar a ocorrência e solicitar as medidas cabíveis.

Embora a legislação brasileira tenha avançado significativamente, o enfrentamento desse problema exige uma atuação conjunta. É indispensável que o Poder Público invista em educação digital, que as plataformas fortaleçam seus mecanismos de combate à violência online e que a sociedade deixe de tratar agressões psicológicas como episódios de menor importância.

A violência psicológica costuma ser a primeira etapa de um ciclo que pode evoluir para agressões físicas e, em casos extremos, para o feminicídio. Combater esse crime desde os primeiros sinais significa proteger vidas. Mais do que punir agressores, é preciso construir uma cultura que não normalize o controle, a humilhação e a intimidação como formas de relacionamento.

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