A Turquia multou mais de 100 médicos por realizarem cesáreas sem justificativa médica, intensificando a campanha do governo para aumentar a taxa de natalidade no país. A medida, anunciada pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, proíbe desde abril de 2025 a realização dessa intervenção cirúrgica em centros de saúde privados sem necessidade clínica comprovada.
Contexto da proibição
Erdogan, muçulmano devoto e defensor dos chamados partos naturais, tem como objetivo reduzir a alta taxa de cesáreas na Turquia, que lidera o ranking entre os 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A proibição visa incentivar o parto normal, considerado mais alinhado com valores tradicionais e religiosos.
Reação dos médicos
Médicos turcos criticam a medida, alegando que a cesárea é um procedimento eficiente e seguro, muitas vezes necessário para evitar complicações. "A cesárea salva vidas e não deve ser restrita por razões ideológicas", afirmou um representante da Associação Médica Turca, sob condição de anonimato. A multa, aplicada sem aviso prévio, gerou apreensão na classe médica.
Impacto na saúde pública
Especialistas apontam que a restrição pode levar a riscos desnecessários em gestações de alto risco, aumentando a mortalidade materna e neonatal. Dados oficiais mostram que a taxa de cesáreas na Turquia ultrapassa 50% dos partos, bem acima dos 10-15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde. O governo, no entanto, defende que a medida é necessária para reverter a queda na natalidade, que atingiu 1,5 filho por mulher em 2024.
Próximos passos
A fiscalização deve ser ampliada para hospitais públicos nos próximos meses, conforme anunciou o Ministério da Saúde. Enquanto isso, médicos preparam ações judiciais contra a multa, argumentando violação da autonomia profissional. A polêmica reflete o embate entre políticas populacionais e práticas médicas baseadas em evidências.



