Sorocaba (SP) receberá no dia 2 de agosto a 1ª Caminhada de Conscientização sobre o Lipedema, na Pista do Campolim. O evento, gratuito e aberto ao público, será realizado das 9h às 12h e é organizado pela ONG Movimento Lipedema.
A iniciativa tem como objetivo ampliar a visibilidade do lipedema, uma doença crônica e inflamatória que afeta milhões de brasileiras. Mesmo sendo relativamente comum, a condição ainda é cercada por desconhecimento e frequentemente confundida com obesidade ou celulite.
O que é o lipedema
O lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional de gordura doentia e inflamatória, concentrado principalmente nas pernas e nos braços. Diferentemente da obesidade comum, essa gordura não responde bem a dietas e exercícios tradicionais. A doença provoca dor diária, sensação de peso, hematomas com facilidade e inchaço que aumenta ao longo do dia.
Além dos sintomas físicos, a condição causa impacto emocional significativo. Muitas mulheres relatam vergonha do próprio corpo e evitam situações como praia e piscina. Com o tempo, a falta de tratamento adequado pode levar à perda progressiva de mobilidade e ao isolamento social.
Organizadora local convive com a doença
Em Sorocaba, a mobilização é liderada pela psicóloga Raquel Labarca, de 55 anos, que convive com o lipedema e recebeu o diagnóstico correto há apenas dois anos. Ela conta que, antes disso, tentava tratar os sintomas como uma questão estética.
"Eu tentava combater os sintomas focando na estética, e não na dor e na inflamação. O lipedema causa sensação de peso constante, hematomas fáceis e um inchaço nas pernas que piora muito ao longo do dia", afirma Raquel.
A psicóloga também fala sobre a dificuldade de enfrentar a doença em um cenário de desinformação. "Há uma grande dificuldade em eliminar essa gordura com dietas e exercícios comuns. As pessoas acham que a mulher não se esforça ou não treina direito. Isso adoece a mente por causa da frustração de tentar de tudo sem ter sucesso", completa.
Médico alerta para o diagnóstico tardio
O desconhecimento sobre o lipedema não se restringe à população. Segundo o cirurgião vascular Fábio Kamamoto, de 50 anos, diretor do Instituto Lipedema Brasil, a falta de identificação precoce acelera a gravidade do quadro.
"Infelizmente, ainda há pouco conhecimento. O lipedema gera limitação física, perda de mobilidade e isolamento social, pois as mulheres evitam praias ou piscinas por vergonha. Por ser uma doença progressiva, a tendência é sempre de piora quando não há tratamento adequado", alerta o médico.
Kamamoto reforça que o principal objetivo das campanhas nacionais é pressionar pela inclusão definitiva do tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) e na cobertura obrigatória dos convênios médicos. Dessa forma, mais mulheres poderiam ter acesso precoce ao diagnóstico e ao tratamento multidisciplinar.
ONG Movimento Lipedema e o apoio às pacientes
A ONG Movimento Lipedema foi criada pela farmacêutica bioquímica Gabriela Pereira, de 45 anos, após ela enfrentar uma longa jornada pessoal para descobrir a própria condição. A partir dessa experiência, Gabriela estruturou uma rede nacional de acolhimento para outras mulheres.
Embora as caminhadas de rua sejam o ponto alto do calendário de conscientização, a ONG oferece suporte gratuito durante o ano inteiro. Entre as ações estão grupos de acolhimento psicológico, cursos de autocuidado e palestras virtuais com especialistas.
Sorocaba entrou no roteiro nacional da campanha graças à mobilização de voluntárias locais. "Tivemos a felicidade de encontrar a Raquel, uma profissional de saúde que vive a mesma realidade e lidera a ação na cidade", destaca Gabriela.
A organizadora local também valoriza o papel do grupo de apoio na jornada das pacientes. "Saber que não estamos sozinhas e que existem outras pessoas com o mesmo sentimento nos dá força e esperança. O grupo nos ajuda a continuar lutando", finaliza Raquel.



