Sal marinho não é superior ao refinado; veja mitos
Sal marinho não é superior ao refinado

O sal marinho é frequentemente apontado como uma alternativa mais saudável ao sal refinado, mas essa crença não tem respaldo científico. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ingestão diária de sal não deve ultrapassar 5 gramas, o equivalente a 2 gramas de sódio. No entanto, muitos consumidores acreditam que, por ser menos processado, o sal marinho pode ser consumido à vontade — um equívoco que pode trazer sérios riscos à saúde cardiovascular.

Composição semelhante: sódio é o vilão

Do ponto de vista químico, tanto o sal marinho quanto o sal refinado são compostos majoritariamente por cloreto de sódio. Em ambos, cada grama contém aproximadamente 400 mg de sódio — exatamente o mesmo valor. A diferença está na origem e no processamento: o sal marinho é obtido pela evaporação da água do mar e passa por pouca ou nenhuma refinamento, enquanto o sal refinado passa por processos que removem impurezas e adicionam aditivos antiaglomerantes.

Os defensores do sal marinho argumentam que ele é rico em oligoelementos, como magnésio, cálcio e potássio. Porém, especialistas em nutrição apontam que essas quantidades são tão pequenas que não geram impacto significativo na dieta. Um estudo publicado no Journal of the American Heart Association reforça que, independentemente do tipo de sal, o excesso de sódio é o principal responsável pelo aumento da pressão arterial.

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Impacto na saúde: riscos são os mesmos

O consumo elevado de sódio está diretamente associado a hipertensão, doenças renais, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca. A OMS estima que, no mundo, cerca de 1,28 bilhão de pessoas sofrem de hipertensão, e a redução do sal é uma das medidas mais eficazes para controlar o problema. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que a população consome, em média, 9,34 gramas de sal por dia — quase o dobro do recomendado.

Trocar o sal refinado pelo marinho não reduz esses riscos. “A única vantagem prática do sal marinho é a textura e o sabor, que podem agradar em preparações finais, mas para cozinhar não há diferença relevante”, explica a nutricionista Carla Fernandes, em entrevista recente. Ela alerta que os cristais maiores do sal marinho podem até levar a um uso maior do produto, pois o paladar pode não perceber a mesma intensidade salina em comparação com o sal fino.

Flocos e grosso: armadilhas no uso diário

Algumas versões de sal marinho, como o flor de sal, têm cristais grandes e formato irregular, o que confere uma experiência sensorial diferenciada. No entanto, essa característica pode se transformar em um risco: como os flocos ocupam mais volume, as pessoas tendem a usar quantidades maiores para atingir o mesmo nível de salinidade. Isso significa que, na prática, é possível ingerir até 20% mais sódio sem perceber, conforme alerta um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Outro ponto que costuma confundir é a cor do sal marinho. Tons rosados ou acinzentados vêm da presença de impurezas naturais, como argila e algas, mas não alteram a composição nutricional. Já o sal rosa do Himalaia, apesar da fama, contém cerca de 84 minerais — porém, em concentrações ínfimas, como apontam análises laboratoriais. Para efeito de saúde, essa diferença é desprezível.

Como reduzir o consumo sem abrir mão do sabor

A orientação dos especialistas é focar na redução total do sódio, independentemente do tipo de sal escolhido. Uma estratégia eficaz é usar temperos naturais — alho, cebola, ervas frescas, limão e especiarias — para compensar a diminuição do sal nas refeições. Além disso, é importante ficar atento ao sal escondido em alimentos processados, como embutidos, molhos prontos, queijos e salgadinhos, que respondem por cerca de 70% da ingestão diária de sódio no Brasil.

Ao comprar sal, a recomendação é verificar o rótulo e comparar os teores de sódio. Algumas marcas de sal marinho afirmam ter “sal reduzido”, mas essa alegação só é válida quando a quantidade é efetivamente menor. Em geral, o sal do Himalaia e o sal marinho comum apresentam os mesmos valores do refinado.

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Portanto, a ideia de que o sal marinho é “mais saudável” é um mito. A chave para uma dieta equilibrada é moderar a quantidade de qualquer tipo de sal e adotar um estilo de vida que inclua atividade física e uma alimentação rica em frutas, vegetais e alimentos in natura. Para quem tem hipertensão ou doença renal, a orientação médica deve sempre ser seguida, e o uso de substitutos de sódio à base de potássio pode ser uma alternativa, desde que sob supervisão médica.