A Prefeitura de Presidente Prudente (SP) anunciou o encerramento do Método Wolbachia no município, com a desativação da biofábrica de mosquitos instalada no Jardim Everest, na sexta-feira (31). A unidade, inaugurada em julho de 2025 como a primeira do estado de São Paulo, foi responsável pela criação e liberação de mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia, conhecidos como "Wolbitos". A última soltura dos insetos ocorreu na mesma data, conforme a administração municipal.
Queda expressiva nos casos de dengue
O encerramento do programa ocorre após uma redução drástica dos casos de dengue na cidade. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, Presidente Prudente registrou 27.712 casos confirmados e 23 mortes pela doença no primeiro semestre de 2025. No mesmo período de 2026, já com a implantação do método, foram confirmados apenas 33 casos, sem nenhuma morte.
Apesar da melhora no cenário epidemiológico, a Secretaria Municipal de Saúde ressalta que a redução também é resultado da intensificação dos mutirões de limpeza, serviços de zeladoria, visitas domiciliares e campanhas de conscientização. A combinação dessas ações com a soltura dos mosquitos modificados contribuiu para o controle do vetor.
O que muda com o fim do programa?
Com a desativação da biofábrica, a criação dos mosquitos Wolbachia será interrompida. Pesquisadores do programa já alertavam que os resultados definitivos do Método Wolbachia só poderiam ser avaliados entre um e dois anos após o término da liberação, período necessário para verificar o estabelecimento da bactéria na população local do Aedes aegypti. Assim, os efeitos de longo prazo ainda serão monitorados.
Detalhes da implantação
A primeira etapa do Método Wolbachia começou na última semana de julho de 2025 e se estendeu por 28 semanas, até fevereiro deste ano. Nessa fase, aproximadamente metade do perímetro urbano de Presidente Prudente foi contemplada, beneficiando cerca de 113 mil moradores em bairros como Ana Jacinta, João Domingos Netto, Novo Bongiovani e regiões próximas.
A biofábrica, com aproximadamente 400 m², foi adaptada com salas de triagem, de larvas, de tubos, de lavagem, de estoque e refeitório. Durante os 12 meses de funcionamento, os profissionais realizaram as etapas finais do método, incluindo a eclosão dos ovos dos mosquitos com Wolbachia e a preparação dos tubos para liberação em campo.
Ampliação do projeto
Após os primeiros resultados, considerados positivos pela administração municipal, a prefeitura anunciou, em março deste ano, a ampliação do projeto para os demais bairros da cidade. A segunda fase teve início em 16 de março e também estava prevista para durar 28 semanas, sendo financiada integralmente pelo município em parceria com o World Mosquito Program (WMP). Para a execução, foram mobilizados 17 servidores municipais, entre agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias e agentes de controle de zoonoses.



