Um pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) juvenil foi resgatado na terça-feira (30) na faixa de areia da Praia das Toninhas, em Ubatuba (SP). O primeiro atendimento foi realizado pelo Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), que acionou o Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha para dar sequência ao resgate.
Atendimento e reabilitação
Após ser recolhido pela equipe especializada, o animal foi encaminhado ao Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD), em Ubatuba. No local, passará por avaliação clínica e receberá cuidados conforme seu estado de saúde, incluindo exames e tratamento.
O pinguim resgatado é um indivíduo juvenil, faixa etária mais frequentemente encontrada nas praias brasileiras durante esta época do ano. Segundo o Instituto Argonauta, esses animais deixam as áreas de reprodução na Patagônia, entre a Argentina e o Chile, e seguem em migração rumo ao norte. Por ainda terem pouca experiência, muitos jovens acabam não conseguindo acompanhar o restante do grupo e chegam ao litoral debilitados, necessitando de atendimento especializado.
Temporada intensa no litoral norte paulista
Somente nesta semana, as equipes do Instituto Argonauta atenderam diversos acionamentos envolvendo pinguins em praias de Ubatuba, reflexo do início mais intenso da temporada da espécie no litoral norte paulista.
"O período de inverno é marcado pela chegada dos pinguins ao nosso litoral, e cada resgate representa uma oportunidade de oferecer uma chance de recuperação aos animais debilitados, além de gerar informações importantes para a conservação da espécie e dos ambientes marinhos", afirma o oceanólogo Hugo Gallo Neto, do Instituto Argonauta.
Processo de recuperação
Cada animal resgatado recebe atendimento individualizado. O primeiro passo é a estabilização do quadro clínico. Os pinguins permanecem internados e, conforme apresentam melhora, passam a se alimentar sozinhos e são transferidos para outros recintos, acompanhando a evolução até estarem aptos para retornar ao ambiente natural.
Atualmente, 12 pinguins permanecem em reabilitação no Centro de Reabilitação e Despetrolização, onde recebem atendimento veterinário, suporte nutricional e outros cuidados necessários para a recuperação. Desde o início da temporada de inverno, o Instituto Argonauta registrou 128 ocorrências de pinguins-de-Magalhães no litoral norte paulista, sendo 28 animais encontrados vivos.
Por que os pinguins aparecem no litoral brasileiro durante o inverno?
A presença de pinguins nas praias brasileiras é um fenômeno natural que se repete todos os anos durante o inverno. Nessa época, os pinguins-de-Magalhães deixam as áreas de reprodução na Patagônia, no sul da Argentina e do Chile, e migram para o norte acompanhando a Corrente das Malvinas, que leva águas frias e ricas em nutrientes pela costa da América do Sul. Durante a viagem, alimentam-se principalmente de peixes, lulas e crustáceos.
No entanto, muitos dos animais encontrados nas praias brasileiras são jovens realizando a primeira migração. Ainda sem experiência, eles podem ter dificuldade para encontrar alimento suficiente durante o percurso. Além da escassez de alimento, fatores como interação com atividades pesqueiras, ingestão de resíduos sólidos, doenças e condições ambientais desfavoráveis também podem comprometer a sobrevivência dos animais. Não é raro que os pinguins resgatados apresentem desidratação, emagrecimento acentuado, hipotermia e exaustão, resultado do longo deslocamento.
Orientações para a população
O Instituto Argonauta orienta que, ao encontrar um pinguim debilitado ou encalhado, a população não tente devolvê-lo ao mar nem ofereça água ou alimento. A recomendação é manter distância, evitar aglomerações, afastar animais domésticos e acionar uma equipe especializada para realizar o atendimento de forma segura.



