Técnica de respiração guiada por vídeo de peixinho viraliza e ciência explica benefícios contra ansiedade
Técnica de respiração guiada por vídeo de peixinho viraliza e ciência explica benefícios contra ansi

Um vídeo simples que mostra um peixinho subindo e descendo na tela viralizou nas redes sociais ao prometer ajudar a acalmar a ansiedade. A proposta é inspirar quando o peixe sobe e expirar quando ele desce. Por trás da estética infantil, há um mecanismo fisiológico bem descrito pela ciência: a respiração guiada lenta.

Segundo Helder Picarelli, neurocirurgião do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e pós-doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a respiração é uma das poucas funções do corpo que podemos controlar voluntariamente e, com isso, influenciar o cérebro. Quando a respiração desacelera, o corpo sai do estado de alerta e ativa o sistema parassimpático, responsável por sinalizar que é seguro relaxar.

Esse efeito ocorre porque a respiração lenta estimula o nervo vago, uma via de comunicação direta entre corpo e cérebro. O coração passa a bater mais devagar, a musculatura relaxa e a respiração se estabiliza. Ao mesmo tempo, o corpo reduz a liberação de cortisol, hormônio associado ao estresse, e melhora a variabilidade da frequência cardíaca, um marcador de equilíbrio do organismo.

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O movimento ritmado do peixe funciona como um guia externo, ajudando a manter o ritmo ideal de 5 a 6 ciclos respiratórios por minuto, considerado o mais eficaz para ativar o sistema parassimpático. Esse direcionamento da atenção também reduz a tendência do cérebro de se fixar em pensamentos ansiosos.

Uma meta-análise publicada na revista Scientific Reports, que reuniu 12 estudos com 785 participantes, encontrou redução significativa nos níveis de estresse em pessoas que praticaram exercícios respiratórios, em comparação com grupos controle. O efeito foi considerado de pequeno a moderado, mas consistente, e também apareceu para sintomas de ansiedade e depressão. Os autores destacam, no entanto, que ainda há limitações metodológicas e que os achados devem ser interpretados com cautela.

Picarelli observa que os benefícios costumam ser leves a moderados e podem não ser suficientes em crises mais intensas. Ainda assim, a prática é segura, acessível e pode ser aplicada em diferentes contextos, inclusive com crianças.

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