A morte da influenciadora de bem-estar Stacey Warnecke, em Melbourne, após um parto domiciliar desassistido em setembro, está sob investigação. Ela sofreu uma hemorragia pós-parto cerca de 25 minutos após o nascimento do filho Axel e, sem tratamento oportuno, entrou em parada cardíaca. O caso levanta questões sobre os riscos dessa prática e as motivações de mulheres que optam por dar à luz sem assistência médica.
O parto desassistido ocorre quando a mulher dá à luz, geralmente em casa, sem a presença de um profissional de saúde registrado, como médico ou parteira. Diferente do parto domiciliar assistido, em que há uma parteira registrada, no parto desassistido podem estar presentes apenas o parceiro, um amigo ou parente, ou ainda profissionais não regulamentados, como doulas, que não possuem treinamento formal para detectar ou lidar com complicações.
Pesquisas conduzidas na última década indicam que mulheres que escolhem o parto desassistido têm maior probabilidade de já terem tido um filho anteriormente (77%), serem brancas e terem alto nível de escolaridade. Uma experiência anterior negativa de parto — incluindo eventos traumáticos, abuso por profissionais de saúde, coerção ou cuidados sem consentimento — é uma das principais motivações para a escolha do parto sem assistência em gestações subsequentes.
Especialistas alertam que, mesmo em gestações de baixo risco, emergências como hemorragia pós-parto e necessidade de reanimação do recém-nascido podem ocorrer, exigindo habilidades e equipamentos especializados, além de transferência rápida para o hospital. Na Austrália, parteiras oferecem serviços de parto domiciliar vinculados a hospitais públicos com bom histórico de segurança, mas a maioria dos partos domiciliares é realizada por parteiras privadas. Não há dados estatísticos que comparem os riscos do parto desassistido com os assistidos.
Desde a pandemia de Covid-19, influenciadores de mídias sociais criaram comunidades que compartilham conteúdo sobre partos desassistidos, enquanto a confiança em instituições e especialistas diminuiu. Warnecke acreditava que essa era a única maneira de ter um bebê inteiramente nos seus próprios termos. A investigação busca entender suas motivações para evitar mortes semelhantes no futuro.



