O NatJus (Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde) concluiu a análise de pareceres técnicos sobre o medicamento olaparibe, indicado para tratamento de câncer de ovário avançado. Sete dos dez pareceres avaliados foram favoráveis à incorporação do fármaco no Sistema Único de Saúde (SUS).
Contexto da avaliação
O olaparibe é um inibidor de PARP, utilizado como terapia de manutenção em pacientes com mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2. O pedido de incorporação foi submetido por associações de pacientes e apoiado por evidências de eficácia em ensaios clínicos.
De acordo com o coordenador do NatJus, Dr. Carlos Mendes, “os pareceres refletem uma revisão técnica aprofundada, considerando benefícios clínicos e custo-efetividade”. A votação ocorrerá em reunião plenária na próxima semana.
Detalhes do parecer
Entre os motivos citados pelos relatores favoráveis, destacam-se a redução do risco de progressão tumoral e a melhora na qualidade de vida. Os três pareceres contrários apontaram incertezas quanto à relação custo-benefício em longo prazo.
O estudo clínico SOLO-1, que embasou a solicitação, mostrou aumento significativo na sobrevida livre de progressão com olaparibe em comparação ao placebo. Atualmente, o medicamento já é aprovado pela Anvisa, mas seu acesso via SUS era limitado a ações judiciais.
Impacto para pacientes
Se incorporado, o olaparibe poderá beneficiar cerca de 3.000 pacientes por ano no Brasil, segundo estimativas do Ministério da Saúde. A decisão final do NatJus será encaminhada para a Conitec, que decide sobre inclusão no SUS.
Especialistas consideram que a aprovação representa um avanço na oncologia de precisão no sistema público. “É uma esperança para pacientes com perfil genético específico, que antes dependiam de acesso privado ou de liminares”, afirma a oncologista Dra. Paula Lemos, consultora da Associação Brasileira de Câncer.



