O Bradesco informou nesta quarta-feira que seu conselho de administração aprovou um aumento de capital de até R$ 10 bilhões, com compromisso de subscrição de até R$ 8 bilhões pelos controladores. A operação visa reforçar investimentos estratégicos, especialmente em tecnologia e eficiência comercial, segundo comunicado ao mercado.
Detalhes da emissão e deságio
O aumento será realizado mediante emissão de novas ações aos preços de R$ 15,43 por ação ordinária e R$ 17,64 por ação preferencial. As ações ordinárias fecharam o pregão a R$ 16,04, e as preferenciais, a R$ 18,35. O banco aplicou um deságio de 6% sobre os preços de fechamento, com o objetivo de incentivar a participação dos acionistas na operação.
“A administração da sociedade acredita que um aumento de capital no valor de até R$ 10 bilhões possibilitará o reforço na sustentação do ritmo célere em investimentos estratégicos, mediante a ampliação de investimentos relevantes em tecnologia, eficiência comercial, expansão dos negócios, bem como o compromisso institucional com financiamento sustentável”, afirmou o Bradesco em fato relevante.
Antecipação de juros sobre capital próprio
Além do aumento de capital, o conselho aprovou a antecipação do pagamento de R$ 6,5 bilhões em juros sobre capital próprio (JCP) já declarados. O pagamento está previsto para 15 de setembro, correspondendo a R$ 0,586 por ação ordinária e R$ 0,644 por ação preferencial. A medida busca compensar os acionistas pelo deságio oferecido na subscrição.
O Bradesco ressaltou que os recursos captados serão destinados a projetos de transformação digital, modernização da rede de agências e ampliação de produtos sustentáveis. A operação está sujeita à aprovação dos órgãos reguladores e deve ser concluída até o final do ano.
Contexto de mercado e reação dos analistas
O anúncio ocorre em um cenário de desafios para o setor bancário brasileiro, com compressão de spreads e aumento de provisões. A decisão de elevar o capital próprio reforça a posição do Bradesco em meio a um ambiente de crédito mais restrito. Analistas avaliam que a operação pode diluir ligeiramente o valor das ações, mas o deságio e a antecipação do JCP atenuam o impacto para os acionistas atuais.
Em fato relevante, o banco destacou que o aumento de capital permitirá manter o ritmo de investimentos em tecnologia e eficiência comercial, áreas consideradas críticas para a competitividade no longo prazo. A expectativa é que a operação seja bem recebida pelo mercado, que já precificava a necessidade de reforço de capital em meio à deterioração da qualidade dos ativos.
Impacto nos acionistas e próximos passos
Os acionistas terão direito de preferência na subscrição das novas ações, com prazo para exercício ainda a ser definido. A antecipação do JCP, que totaliza R$ 6,5 bilhões, será paga em 15 de setembro aos acionistas registrados na data-base. O banco estima que o processo de aumento de capital esteja concluído até novembro de 2025, sujeito às aprovações regulatórias.



