A caseira Maria do Carmo da Silva Pereira, moradora de Batatais (SP), descreveu como um alívio imenso o reencontro com o marido Nilson Ferreira de Oliveira, de 71 anos, portador de Alzheimer, que desapareceu da Santa Casa de Ribeirão Preto na tarde de segunda-feira (27). O aposentado, internado após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), foi localizado no início da tarde de terça-feira (28) graças a um telespectador que assistiu a uma reportagem ao vivo da EPTV, afiliada da TV Globo, sobre o caso. Nilson estava em um ponto de ônibus no bairro Heitor Rigon, a cerca de cinco quilômetros do hospital.
O desaparecimento e a demora na comunicação
De acordo com familiares, Nilson deixou a Santa Casa por volta das 15h de segunda-feira. No entanto, Maria do Carmo só foi informada do ocorrido às 18h45, quase quatro horas depois. A demora aumentou a aflição da família, que reside em Batatais, a aproximadamente 30 quilômetros de Ribeirão Preto. “Eles não me falavam nada dele, que tristeza que eu fiquei. Eu nunca imaginava de acontecer isso aqui”, desabafou Maria do Carmo. A família esperava que o atendimento no hospital fosse exemplar, mas se deparou com a falta de informações e a fuga do paciente.
A angústia da família e as buscas noturnas
Desde que soube do desaparecimento, Maria do Carmo não poupou esforços para encontrar o marido. Junto com outros parentes, percorreu as ruas de Ribeirão Preto durante a noite de segunda-feira. A condição de saúde de Nilson, agravada pelo Alzheimer e pelo AVC, tornava a situação ainda mais crítica. “Fiquei com medo, eu imaginava que ele estava escondido lá dentro [do hospital] e fiquei com medo de não achar ele mais, tadinho, achei que nunca mais ia achar ele, minha vida ia acabar, eu não ia ter vida mais, já não estava tendo”, relatou a caseira, visivelmente emocionada. A privação de sono e alimentação durante o período de aflição reflete o desespero da esposa.
A resposta do hospital e a controvérsia
Procurada pela reportagem da EPTV, a Santa Casa não se pronunciou oficialmente até a última atualização da notícia. No entanto, um vídeo gravado por familiares mostra uma funcionária do hospital afirmando que, apesar de existirem catracas e portaria, a instituição não teria condições de impedir a saída de um paciente consciente. “Se for esperto, foge”, disse a funcionária, indicando que Nilson, por estar lúcido, teria deixado o local por vontade própria. A declaração gerou revolta entre os parentes, que esperavam maior segurança para pacientes vulneráveis.
O reencontro graças à solidariedade
Na terça-feira pela manhã, a família registrou boletim de ocorrência e intensificou as buscas. A cobertura ao vivo da EPTV foi crucial: um telespectador reconheceu Nilson em um ponto de ônibus no bairro Heitor Rigon e acionou a família. “Ele é forte, ele aguenta, nós lá na fazenda anda muito. Se fosse um homem fraco ele não tinha aguentado”, comentou Maria do Carmo sobre a resistência do marido, que percorreu uma distância considerável mesmo debilitado. Após ser encontrado, Nilson foi levado pelos parentes para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Norte de Ribeirão Preto para reavaliação médica.
Alívio e gratidão
O reencontro trouxe alívio para a família, que agora busca garantir que Nilson receba o acompanhamento adequado sem novos riscos de fuga. Maria do Carmo expressou gratidão ao telespectador que ajudou e à equipe da EPTV pela divulgação do caso. A história destaca os desafios enfrentados por cuidadores de pacientes com Alzheimer e a importância de uma comunicação eficiente entre hospitais e familiares.



