Menopausa expõe desafios no cuidado íntimo feminino
Menopausa: desafios no cuidado íntimo feminino

A menopausa, fase natural na vida da mulher, traz consigo uma série de transformações hormonais que impactam diretamente a saúde íntima. A queda na produção de estrogênio, principal hormônio feminino, leva a alterações na mucosa vaginal, tornando-a mais fina, seca e menos elástica. Esse cenário, conhecido como atrofia vaginal, não só causa desconforto, mas também aumenta a vulnerabilidade a infecções e outros problemas.

Impactos da menopausa na região íntima

De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de 65% das mulheres na pós-menopausa relatam sintomas de ressecamento vaginal. Esse ressecamento pode levar a dor durante as relações sexuais (dispareunia), irritação, coceira e maior propensão a infecções urinárias e vaginites. A ginecologista Dra. Maria Helena Bastos explica: "A falta de estrogênio compromete a lubrificação natural e a flora vaginal, que é a barreira de proteção contra microrganismos. Por isso, os cuidados com a higiene e a hidratação local são fundamentais nessa fase."

Hábitos que ajudam a prevenir problemas

Para minimizar os desconfortos, especialistas recomendam algumas práticas. O uso de hidratantes vaginais específicos, sem fragrâncias e com pH balanceado, pode aliviar o ressecamento. Além disso, evitar duchas íntimas e sabonetes agressivos é essencial para não desequilibrar ainda mais a flora. Roupas íntimas de algodão e a troca frequente de absorventes também são indicadas. A prática de exercícios físicos e uma dieta rica em fitoestrógenos, como soja e linhaça, podem ajudar na regulação hormonal natural.

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Tratamentos e quando procurar ajuda

Quando os sintomas persistem, existem opções terapêuticas. A terapia de reposição hormonal (TRH) local ou sistêmica é uma alternativa, mas deve ser avaliada individualmente. "A TRH não é indicada para todas as mulheres, especialmente aquelas com histórico de câncer de mama ou trombose. Por isso, a consulta com um ginecologista é indispensável para definir a melhor conduta", ressalta a Febrasgo. Outros tratamentos incluem o uso de laser vaginal e bioestimuladores de colágeno, que têm mostrado resultados promissores na recuperação da espessura e lubrificação vaginal.

Importância do acompanhamento médico

A menopausa não precisa ser sinônimo de sofrimento. Com o suporte adequado e a adoção de hábitos saudáveis, é possível manter a qualidade de vida e a saúde íntima. A recomendação é que as mulheres a partir dos 40 anos realizem consultas ginecológicas regulares para monitorar as mudanças e receber orientações personalizadas. "Muitas mulheres sofrem em silêncio por vergonha ou falta de informação, mas existem soluções simples e eficazes. O diálogo com o médico é o primeiro passo", conclui a Dra. Maria Helena.

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